sábado, 30 de abril de 2011

E ainda sobra tempo

Sentimo-nos valorizados cada vez mais pela ação

Existe uma equação simples para tentar decifrar esse grande mistério da falta de tempo na vida das pessoas. É só parar e fazer a conta das horas desperdiçadas em atividades completamente inúteis. A relação é tão vasta que nem vale a pena fazê-la. Mas pode-se tentar uma tomada de consciência a partir de acontecimentos do nosso cotidiano. Você conhece uma situação que nos deixa com mais culpa do que não fazer nada? O corpo pode até estar em estado de repouso, mas a mente viaja quilômetros e mais quilômetros, sofrendo por tudo que deveria estar fazendo e não faz. Provavelmente seja por isso que muitos de nós damos um jeitinho de levar o notebook para a praia ou o hotel da cidade em que vai tirar férias. O ócio passou a ser o oitavo pecado capital dos nossos dias. Em gravidade, deve estar entre os primeiros.

Sentimo-nos cada vez mais valorizados pela ação. Empilhamos atividade sobre atividade e, ao fim do dia, a descoberta do não cumprimento de uma meta causa grande sofrimento. Contemplar tornou-se obsoleto, coisa de quem tem alma de poeta. Poeta extraviado. As estações passam por nós como se fossem todas da mesma cor, da mesma textura. É claro que muitos se entregam a essa compulsão porque há uma cobrança permanente pairando no ar. Só os melhores, os mais ágeis e espertos sobrevivem no mercado. E isso acabou virando senso comum – multidões andando por aí em busca do que fazer.

Já há alguns anos tenho adotado um olhar diferente. Tento cortar tudo o que posso e reduzir a vida a certos núcleos que me parecem vitais. Todos reclamam que não sobra uma mísera hora diária para a leitura. Mas sobram três ou quatro para assistir televisão. Os pais reclamam que os filhos quase nunca estão em casa. Mas eles muitas vezes passam mais tempo diante do computador do que os filhos. Namorados trocaram a intimidade física por mensagens online. Um breve monitoramento para saber onde estão parece dar conta de qualquer insatisfação amorosa. E todos convencidos de que é assim mesmo e não há nada o que se fazer. Mas há, sempre há.

O desejo exagerado de obter sucesso nos enredou de tal modo que acabamos aceitando tudo como natural. E com justificativas racionais e fundamentadas. Recusar passou a ser uma falta de educação que poucos se permitem. Participam de tudo, mesmo estando presentes só fisicamente, loucos para voltar pra casa e se livrar do evento chato. Está aí uma expressão que não sai da nossa boca: “Eu não queria ir, mas era um compromisso irrecusável.” E vamos, totalmente sem vontade, cumprir mais um ritual destituído de prazer.

Tenho recuperado umas boas horas depois que aprendi a dizer não. Existem parcerias, existem amizades e existem necessidades profissionais e afetivas. Tudo certo. Mas esse excesso de cuidado para não magoar ninguém está nos transformando em seres amargurados, queixosos. Lembremos do verso de Rimbaud: “Por delicadeza, eu perdi minha vida.”

Consigo fazer muitas coisas e ainda sobra tempo. Resultado de algumas escolhas conscientes. Um exemplo? Na minha casa ninguém leva trabalho que ficou pendente durante o dia. Com a TV quase sempre desligada, conversamos, lemos, assistimos filmes, saímos para jantar. Ou simplesmente ficamos preguiçosamente deitados no sofá, falando ou em silêncio. Isso se tornou tão importante que já não questionamos mais se é certo ou errado. É simplesmente a nossa maneira de ser feliz. E de reclamar menos.

Daqui a pouco teremos que devolver tudo, como nos ensinam os mestres budistas. Melhor pensar na vida como uma brincadeira. E se divertir. Estamos ficando velhos muito cedo. E sérios. E responsáveis. E resmungões.

Estou tentando diminuir o peso das malas que carrego. Não quero perder meu trem para Pasárgada. Sem poesia já é noite. Corremos o risco de morrer sem descobrir que a luz era a própria paisagem.
Autor: Gilmar Marcílio
Fonte: Jornal Pioneiro

sexta-feira, 29 de abril de 2011

. . . Sair por aí alegrando as pessoas . . .

Nas minhas visitas diárias a blogs que eu amo, encontrei essa mensagem lindíssima, no Mensagens de uma Entediada, da querida Nati, e resolvi "me apropriar" dela...

;-)


"Fica contente, amor, fica contente.
Eu queria tanto que as pessoas todas fossem mais contentes, é tão bom ficar contente.
 A gente vê na rua todo mundo tão triste,por que as pessoas estão tristes?
( . . . )
Queria tanto sair por aí alegrando as pessoas ( . . . )''
Lygia Fagundes Telles

"Creio que ele se aproveitou de uma migração de pássaros selvagens para fugir."

(do livro O Pequeno Príncipe)



quinta-feira, 28 de abril de 2011

Felicidade

"  Felicidade se acha em horinhas de descuido..."
(Guimarães Rosa)
 






terça-feira, 26 de abril de 2011

IMPORTANTÍSSIMO: 1 4 4 0 menos 5 . . . Isso devolverá um sorriso . . .

Título estranho para um post, não é mesmo?

Nem tanto.

Veja só:

Você tem, todos os dias, 1440 minutos.

Se você doar apenas 5 desses 1440 minutos, poderá devolver o brilho ao olhar de muitas pessoas.

Como?
Veja só:

O Hospital Mário Penna, de Belo horizonte, que atende pessoas com câncer, lançou um projeto espetacular,  que permite que todos nós pssamos ajudar os pacientes, sem que tenhamos que sair da frente do computador e sem que tenhamos que gastar um centavo.
O projeto se chama DOE PALAVRAS e funciona da seguinte maneira:
Você acessa o site http://www.doepalavras.com.br/ e  escreve uma mensagem de fé, otimismo, motivação, força (etc) e ela aparece em uma tela na sala de quimioterapia, para que os pacientes a leiam enquanto estão lá fazendo o tratamento. 
Ou então você segue o DOE PALAVRAS pelo twitter @doepalavras e envia por lá mesmo a sua mensagem.
 E não precisa se preocupar em elaborar uma mensagem enorme, cheia de firulas. As mensagens são curtinhas (em média 130 caracteres) e surtem, nos pacientes, o efeito de uma carícia...
E o melhor de tudo é que esse projeto fez tanto sucesso que já está se espalhando por outros hospitais!

Fantástico não é mesmo?

Ninguém mais tem a desculpa de que não pode ajudar os outros porque não tem dinheiro, ou porque não tem tempo. Para doar você necessita apenas de menos do que 5 dos seus 1440 minutos diários e, é claro, de muito amor no coração.

Afinal, gastamos bem mais do que esses cinco minutinhos fazendo inúmeras outras coisas que, por vezes, não beneficiam sequer a nós mesmos, não é verdade? Vamos  doar palavras de amor, esperança, conforto, força, alegria e fé a muitas pessoas que estão vivenciando momentos de, no mínimo, agonia profunda.

Se quiserem, dêem uma olhadinha nos dois vídeos abaixo (um tem cerca de 1 minuto de duração e o outro menos de 3 minutinhos).

O primeiro é da campanha para a doação de palavras e o segundo é uma breve reportagem feita sobre o projeto.








E agora eu quero pedir aos amigos que me acompanham aqui no Devaneios que ajudem na divulgação desse projeto tão grandioso.

Como?

Colocando o banner abaixo com o link para o DOE PALAVRAS nos seus blogs e, se possível, fazendo uma pequena postagem a respeito.
Quem quiser, inclusive, está autorizado a copiar e colar esse meu post no seu blog.


Ah, e tenho uma dica super útil para que não esqueçamos de fazer nossa doação diária de amor... Eu coloquei o DOE PALAVRAS como minha página inicial. Assim, logo que acesso a internet, já distribuo um pouquinho de amor. 
Que tal a ideia?

Conto com vocês para ajudar a distribuir um pouco de amor!
Déia
"Então, de repente, sem pretender, respirou fundo e pensou que era bom viver!" [Caio F.]

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Cantigas Infantis (?)

Se tem algo que me intriga desde criança, são as cantigas infantis.
Claro que eu, assim como tantas outras crianças, cansei de brincar de roda cantando algumas dessas “preciosidades”. Mas depois que a brincadeira acabava, muitas vezes eu ficava refletindo sobre as letras das canções.
Meus pais é que sofriam com os “por quê isso, mãe?”, “por quê aquilo, pai?”… E, é claro, nunca obtive a menor atenção (nem mesmo dos professores) quando eu saía por aí perguntando, por exemplo, porque uma casa que não tinha teto, não tinha parede, não tinha chão, enfim, não tinha nada, era "engraçada"…
O curioso é que, ainda hoje, cada vez que ouço alguém cantando uma dessas cantigas, parece que volto no tempo e as mesmas dúvidas ainda me incomodam.
E é impressionante o quanto algumas letras dessas cantigas beiram o absurdo.

Vejam só algumas que eu lembrei:


"Samba Lelê tá doente / Tá com a cabeça quebrada / Samba Lelê precisava / De umas 18 palmadas" 
Olhem isso! O pobre do tal Samba Lelê, só porque está doente e com a cabeça "quebrada " merece levar 18 (!?) palmadas? E depois ainda dizem que eu, às vezes, sou um tanto quanto implicante…

 
"Eu sou pobre, pobre, pobre de marré, marré, marré / Eu sou rica, rica, rica de marré..."
 O interessante é que nesta aqui, a criança aprende desde cedo as diferenças socias…

 
"Fui morar numa casinha-nha infestada-da de cupim-pim-pim..."
E a pobre criança sai olhando as paredes à cata de furinhos na sua casa velha…
 

"A canoa virou / Pois deixaram ela virar / Foi por causa de [fulana] / Que não soube remar. " Que espetáculo, não é mesmo? O sentimento de culpa deve ser introjetado desde cedo nos pequenos…

 
"Maria, tu 'vai' ao baile / Tu 'leva' o  xale / Que vai chover / E depois / De madrugada / Toda molhada / Tu 'vai' morrer" A pobre criança que esquecer o casaquinho vai surtar achando que pode, a exemplo da tal Maria, cair mortinha… Afinal, resfriado para quê, não é mesmo? Bom mesmo é morrer de uma vez…
 
 
"Terezinha de Jesus / De uma queda foi ao chão”  
Até a pobre mulher se esborracha no chão nas cantigas dos pequenos...


 

 
 "O anel que tu me destes / era vidro e se quebrou / o amor que tu me tinhas / era pouco e se acabou"... A criançada aprende cedo que o amor é frágil, pode “se quebrar” e se acabar por qualquer coisinha…



 "O cravo brigou com a rosa / debaixo de uma sacada / o cravo saiu ferido / e a rosa despedaçada / o cravo ficou doente / a rosa foi visitar / o cravo teve um desmaio / e a rosa pôs-se a chorar..."  Tragédia pouca é bobagem, não é mesmo? Nem as flores escapam…



 "Boi, boi, boi / Boi da cara preta / Pega esta criança / que tem medo de careta..."... Ah! Essa é espetacular!!! Imaginem que sono “tranquilo” tem a criança que adormece ouvindo que um boi com a cara preta vem lhe pegar?

ou então:
Essa aqui, então, é insuperável!!! Que tal ameaçar carinhosamente a criança cantando: "Dorme, neném/ Que a Cuca vem pegar..." Ora, faça-me o favor!!! Que bendito neném vai adormecer tranquilo sabendo que, a qualquer momento, a tal "Cuca" pode vir lhe pegar???



"Atirei o pau no gato-to / Mas o gato-to / Não morreu-re-reu / Dona Chica-ca / Admirou-se-se / Do berro / do Berro / Que o gato deu"...  Quem foi o maldito doente que criou essa “obra prima”??? Como se não bastasse o pobre do gato levar uma paulada e, surpreendentemente, não morrer, ainda tem a sádica da tal Dona Chica que fica admirada com o sofrimento do gatinho… Até parece uma apologia ao mau trato aos animais…

“Marcha soldado / cabeça de papel / quem não marchar direito / vai preso no quartel / O quartel pegou fogo / Francisco deu sinal / Acuda acuda acuda / A bandeira nacional"...  Nesta cantiga, o pobre soldado é xingado de “cabeça de papel” (ou seja, é chamado de burro e imbecil por tabela) e sofre ameaça de ser preso. Além disso, o tal Francisco, que avisa que o quartel está pegando fogo, ao invés de se preocupar com as pessoas, grita que o que tem que ser salvo é a bandeira nacional!!!... Ninguém merece!

“Era uma casa muito engraçada / Não tinha teto, não tinha nada / Ninguém podia entrar nela não / Porque na casa não tinha chão / Ninguém podia dormir na rede / Porque na casa não tinha parede / Ninguém podia fazer pipi / porque pinico não tinha ali / Mas era feita com muito esmero / Na Rua dos bobos número zero"...  Ora, convenhamos que o mestre Vinícius (de Moraes) só podia estar querendo tirar um sarro dos “bobos”… Para quê raios serve essa porcaria de casa?!?

 
“[…] O pato pateta / Pintou o caneco / Surrou a galinha / Bateu no marreco / Pulou do poleiro / No pé do cavalo / Levou um coice / Criou um galo / […] Caiu no póço / Quebrou a tigela / Tantas fez o moço / Que foi pra panela” E essa, então?!? O pobre (e violento) pato é um “exemplo” para qulquer criança, não é mesmo? Ninguém me tira da cabeça que, mais uma vez, o Vinícius (de Moraes) queria tirar um sarro quando compôs essa cantiga…
...

Argh!
Sinceramente, vou parar de pensar nelas para não enlouquecer...

Uma primeira versão deste texto, de minha autoria, está postado em http://drepente30.blogspot.com/, onde escrevo como convidada aos domingos. 
Caso desejo copiá-lo, sinta-se à vontade, porém peço a gentileza de que respeite a autoria e cite a fonte.
Grata.
Andréia B. Borba

domingo, 24 de abril de 2011

A resposta está soprando no vento...


Queridos amigos, sei que todos estão esperando os tradicionais votos de Feliz Páscoa e blá, blá, blá... 
Contudo, farei mais do que isso...
Proponho uma reflexão profunda a cada um de nós e, para isso, presenteio a todos com essa preciosidade composta por Bob Dylan.
Um beijo enorme meus queridos!
Déia


Aos 21 anos, Bob Dylan compõe a música “Blowin’ in the Wind”.

1962... Tempos de crise, guerras, discriminação racial e religiosa, conflitos sociais, violência, ódio...

A letra levanta uma série de questões filosóficas sobre a paz, a guerra, a compaixão, a liberdade.

É o enfoque de esperança com que são tratados estes temas transcendentes e atemporais, que permite conservar a sua vigência mais de 50 anos depois...
 








Blowin' In The Wind

 

(composta por Bob Dylan e interpretada por Peter, Paul & Mary)

How many roads must a man walk down,
Before you call him a man?
How many seas must a white dove sail,
Before she sleeps in the sand?
Yes and how many times must cannonballs fly,
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

Yes and how many years must a mountain exist,
Before it's washed to the sea
Yes and how many years can some people exist,
Before they're allowed to be free?
Yes and how many times can a man turn his head,
Pretend that he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Yes and how many times must a man look up,
Before he can see the sky?
Yes and how many ears must one man have,
Before he can hear people cry?
Yes and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

Soprando No Vento

 

Quantas estradas precisará um homem andar
Antes que possam chamá-lo de homem?
Quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar,
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim e quantas vezes balas de canhão precisão voar,
Até serem para sempre banidas?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento
Sim e quantos anos pode existir uma montanha
Antes que ela desapareça no mar?
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir,
Até que lhes sejam permitidas serem livres?
Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça,
E fingir que ele simplesmente não vê?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento
Sim e quantas vezes precisará um homem olhar para cima
Antes que ele possa ver o céu?
Sim e quantos ouvidos precisará ter um homem,
Antes que ele possa ouvir o choro do seu próximo?
Sim e quantas mortes ainda serão necessárias
Até perceber que já morreram pessoas demais?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento...
...


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Dúvidas Pascais

Filho — Papai, o que é Páscoa?

Pai — Ora, Páscoa é… bem… uma festa religiosa.

Filho — Igual o Natal?

Pai — Parecido. Só que no Natal comemora—se o nascimento de Jesus; na Páscoa, se não me engano, comemora—se sua ressurreição.

Filho — Ressurreição?

Pai — É, ressurreição. Marta, vem cá!

Mãe — Sim?

Pai — Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler meu jornal.

Mãe — Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?

Filho — Mais ou menos. Mamãe, Jesus era um coelho?

Mãe — Que é isso filho? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse filho foi batizado! Jorge, esse filho não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele soltar uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!

Filho — Mas Mamãe, o Papai do Céu não é Deus?

Mãe — É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

Filho — O Espírito Santo também é Deus?

Mãe — É sim.

Filho — E Minas Gerais?

Mãe — Sacrilégio!

Filho — É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?

Mãe — Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudo certinho!
 
Filho — Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

Mãe — Eu sei lá! É uma tradição. É como o Papai Noel, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.

Filho — Coelho bota ovo?

Mãe — Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu ganho mais!

Filho — Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

Pai — Era, era melhor, ou então urubu.

Filho — Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, não é? Que dia que ele morreu?

Pai — Isso eu sei: na sexta-feira santa.

Filho — Que dia e que mês?

Pai — Hum… Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

Filho — Um dia depois.

Pai — Não, três dias.

Filho — Então morreu na quarta-feira.

Pai — Não, morreu na sexta-feira santa. Hum… ou terá sido na quarta-feira de cinzas ? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois ! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!

Filho — Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?

Pai — É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

Filho — O Judas traiu Jesus no sábado?

Pai — Claro que não! Ele morreu na sexta, ora!

Filho — Então por que eles não malham o Judas no dia certo?

Pai — É, boa pergunta. Filho, atende ao telefone pro papai. Se for um tal de Rogério, diga que eu saí.
 
Filho — Alô, quem fala?

Rogério — Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?

Filho — Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau.

Filho — Papai, qual era o sobrenome de Jesus?

Pai — Cristo. Jesus Cristo.

Filho — Só?

Pai — Que eu saiba sim, por quê?

Filho — Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

Pai — Coitada!

Filho — Coitada de quem?

Pai — Da sua professora de catecismo!

Luís Fernando Veríssimo

 ______________________

Meus queridos, uma Feliz Páscoa a todos vocês!
Bjs! 
Déia

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Coisas que aprendi com a vida...


Aprendi...

- que alguém só fica a seu lado quando lhe admira profundamente...
- que amigos de verdade não são aqueles que estão sempre presentes, mas que ficam ao seu lado quando você precisa deles...
- que quem está sempre sorrindo esconde alguma dor muito profunda...
- que posso ficar anos sem falar com meus amigos, mas que quando os encontro é como se jamais houvessemos nos separado...
- que devo passar longe de homens que passam as tardes de sábado alisando seus automóveis, pois, em geral, são os mesmos que valorizarão apenas sua aparência...
- que pessoas que maltratam garçons, atendentes, balconistas, etc. são as mesmas que maltratarão você algum dia...
- que posso dizer o que eu quiser a quem eu quiser... tudo dependerá da maneira como as coisas serão ditas...
- que ser gentil é muito gratificante e que se não recebo gentileza em troca não vou morrer por isso...
- que se eu sorrir para alguém, mesmo que seja alguém desconhecido, em geral receberei outro sorriso de volta...
- que respeitar as próprias vontades e desejos é muito importante e que dizer "não" para alguém não fará com que essa pessoa goste menos de você...
- que meu celular deve servir a mim e não eu a ele, ou seja, só atendo, se, quando e quem eu quiser...
- que de nada adianta a melhor roupa, a melhor maquiagem se a auto-estima não "anda bem das pernas"...
- que amo os filhos dos meus amigos tanto quanto amo meus próprios amigos...
- que não devo levar a vida tão a sério, afinal, ela passa tão rápido...


Uma primeira versão deste texto, de minha autoria, está postado em http://drepente30.blogspot.com/, onde escrevo como convidada aos domingos. 
Caso desejo copiá-lo, sinta-se à vontade, porém peço a gentileza de que respeite a autoria e cite a fonte.
Grata.
Andréia B. Borba


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Conversando


 Aprendamos a suportar as dificuldades com paciência.

Saibamos ouvir sem discutir.

Compreendamos para sermos compreendidos.



Sigamos na estrada do bem, abrindo o coração através do sorriso.

A felicidade não entra em portas trancadas.

Emmanuel
(psicografado por Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Para se roubar um coração...


"Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa. Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado. Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente."
Luís Fernando Veríssimo

O CORPO DAS MULHERES

 O vídeo fala por sí.

E o que ele nos mostra é extremamente importante e preocupante.

Vale cada um dos 24 minutos...


 
Onde estão as mulheres reais?

 Para saber mais: www.ilcorpodelledonne.com

SE NÃO GOSTA DE GÍRIAS, FALE CORRETAMENTE!

Gostei tanto dessa ideia que acho que vou tentar imitar...hehehehehehehe!


01 - Prosopopeia flácida para acalentar bovinos. (Conversa mole pra boi dormir);
02 - Colóquio sonolento para fazer bovino repousar. (História pra boi dormir);
03 - Romper a face. (Quebrar a cara);
04 - Creditar o primata. (Pagar o mico);
05 - Inflar o volume da bolsa escrotal. (Encher o saco);
06 - Derrubar, com a extremidade do membro inferior, o sustentáculo de uma das unidades de proteção solar do acampamento. (Chutar o pau da barraca);
07 - Deglutir o batráquio. (Engolir o sapo);
08 - Derrubar com intenções mortais. (Cair matando);
09 - Aplicar a contravenção do João, deficiente físico de um dos membros superiores. (Dar uma de João sem braço);
10 - Sequer considerando a utilização de um longo pedaço de madeira. (Nem a pau);
11 - Sequer considerando a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laríngeo bucais. (Nem que a vaca tussa);
12 - Derramar água pelo chão, através do tombamento violento e premeditado de seu recipiente com a extremidade do membro inferior. (Chutar o balde);
13 - Retirar o filhote de equino da perturbação pluviométrica. (Tirar o cavalinho da chuva);
Essa última foi tirada do mais culto livro de palavras clássicas da língua portuguesa:
14 - A bucéfalo de oferendas não perquiris formação ortodôntica! (A cavalo dado não se olham os dentes!);


OBS: Desconheço a autoria.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

 "Quanto mais se envelhece, mais se gosta de indecência."
Virginia Woolf


domingo, 17 de abril de 2011

O Fusca Quebrado e a Negra Grávida

Na terça-feira dia 12/04/11, aconteceu aqui na minha cidade um fato que me deixou indignada. 

 Foto de Maicon Damasceno - Jornal Pioneir
 Queren Pereira de Souza Oliveira, negra, 23 anos, grávida de 7 meses, operadora de caixa de uma conhecida rede de supermercados aqui da cidade, foi abordada, enquanto trabalhava, pelo fundador da rede, um "digníssimo" senhor de 80 anos, que lhe perguntou: 
 "– Você sabe a semelhança entre um Fusca quebrado na esquina e uma negra barriguda?"
Queren, de início, não compreendeu a "brincadeira", ao que uma colega prontamente lhe disse: 
"– Você não entendeu? Os dois estão esperando um macaco!"

Humilhada, Queren foi chorar no banheiro do supermercado e, sem condições de continuar trabalhando, pediu licença e foi para casa, onde foi confortada por seu esposo e por sua sogra.
Mais tarde, Queren e a sogra procuraram a polícia e formalizaram uma denúncia.

Imagem retirada de: Jornal Pioneiro
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Obviamente que tal caso obteve grande repercussão aqui na cidade e, é claro, todo mundo queria dar o seu pitaco a respeito (assim como eu estou fazendo).
Ora, é claro que eu sei que casos como esse ocorrem diariamente em diversos locais e não apenas aqui. 
Também sei que, infelizmente, nem todos tem a coragem que essa moça teve.
 Mas o que me espanta, não é o fato em si (fatos como esse não me espantam apenas, eles, na verdade, me dão asco) e sim os comentários de algumas pessoas acerca do ocorrido.
Muitas pessoas (ainda bem!) reconhecem o absurdo de tal "brincadeira", ainda mais a moça estando grávida e, o que é pior, tal brincadeira ter partido de alguém com uma posição institucional hierarquicamente superior a dela. 
Outras pessoas, contudo, aproveitam-se de tal fato para lançar comentários do tipo:

"- O que essa pobretona quer é dinheiro... Agora vai conseguir uma indenização enorme só por causa de uma brincadeirinha...

- Era só o que faltava...Agora só porque alguém ri de mim eu vou sair por aí aos quatro ventos querendo processar todo mundo?

- Essa aí agora conseguiu tudo o que queria... Deu uma de vítima, de coitadinha, ficou conhecida e, ainda por cima, vai levar uma bolada do cara que só quis fazer uma brincadeira com ela...

- Isso de querer processar o cara dizendo que ele chamou o filho dela de animal é ridículo! Então eu também vou me sentir ofendida toda vez que lguém me chamar de gatinha e vou querer processar... Afinal de contas, estão me comparando a um animal também, que nem no caso dela..."
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Não consigo compreender como algumas pessoas possam achar normal alguém fazer esse tipo de brincadeira maldosa e de duplo sentido! 
E o curioso é que quando alguém, como é o caso de Querem, decide não se calar diante desse preconceito velado - infelizmente mais comum do que deveria - acaba sofrendo represálias, acaba sendo acusada de ser "uma aproveitadora barata", de "se fazer de vítima", de "querer aparecer" e por aí vai...
Lamentável! 
Finalizo esse post enorme (desculpem se me excedi) com um pequeno vídeo que mostra um trechinho de uma pesquisa realizada com crianças negras americanas e que demonstra que, infelizmente, o preconceito está arraigado no subconsciente das pessoas...



Uma primeira versão deste texto, de minha autoria, está postado em http://drepente30.blogspot.com/, onde escrevo como convidada aos domingos. 
Caso desejo copiá-lo, sinta-se à vontade, porém peço a gentileza de que respeite a autoria e cite a fonte.
Grata.
Andréia B. Borba

sábado, 16 de abril de 2011

A Maria do Socorro que há em todas nós...



Maria do Socorro    
(Maria Rita - Composição : Edu Krieger )
Maria do Socorro
Suas pernas torneadas
Pelas ladeiras do morro
Ela vai no baile funk
De shortinho top e gorro
É afim do Zé Galinha
Mas namora o Zé Cachorro

E no baile
Só dá ela
Só dá ela
Já foi miss comunidade da favela
Hoje sonha em morar noutro lugar
Mas Zé Cachorro não deixa
A gata se queixa
Mas fica por lá



Eu gosto muito de Maria Rita. Em especial dessa música "Maria do Socorro".
Sempre que a ouço, invariavelmente fico lembrando das vezes em que "vesti o gorro" da Maria do Socorro... 
Fico lembrando das vezes em que me anulei, das vezes em que abdiquei das minhas vontades para satisfazer a dos outros...
Claro que eu sei que não fui a primeira e nem serei a última a cometer tal atrocidade contra si mesma... 
Infelizmente, existem muitas Marias do Socorro por aí.
Quanto há mim, desde que decidi me despir do "shortinho, top e gorro" e abandonar de vez a postura de Maria do Socorro, descobri que posso ser muito feliz, obrigada. 
Descobri que tenho inúmeras possibilidades, infinitas escolhas e, o melhor de tudo, descobri que tenho força suficiente para arcar com as consequências de quaisquer decisões que eu venha a tomar.
Desejo a todos que cogitem abandonar, também, seus "shortinhos, tops e gorros". 
Pode não ser fácil... No início nos sentimos nus, perdidos, vazios...
Mas esse vazio em breve é preenchido com aquilo que temos de mais grandioso: Nosso amor próprio, nossa auto-estima.
Um beijo enorme a todos!
Déia

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sempre nos pedem para compreender o ponto de vista do próximo não importa quão antiquado tolo ou obnóxio.


Pedem para enxergar com bondade todos os seus erros, suas vidas desperdiçadas, principalmente se eles são velhos.

 
Mas envelhecer é tudo que nós fazemos.


Van Gogh - O Velho Homem Triste
Eles envelheceram mal porque viveram fora de foco, eles se recusaram a entender.


Não é culpa deles?


É culpa de quem?


Minha?
 

Me pedem para esconder deles meu ponto de vista por medo de seus medos.

Envelhecer não é crime  mas a vergonha de uma vida deliberadamente desperdiçada entre tantas vidas deliberadamente desperdiçadas é.  
 
Charles Bukowski


 Não deixe sua vida passar em vão...



Cansado de ver cadeiras vazias fundou uma escola debaixo do pé de manga

O texto que segue me fez refletir muito sobre as coisas que talvez nós pudessemos fazer em prol dos outros se, realmente, nos dispusessemos de coração a isso...

 

Cansado de ver cadeiras vazias fundou uma escola debaixo do pé de manga


Sebastião Rocha
Esse texto faz parte da coleção “Histórias que mudam o mundo”, criada e mantida pelo Museu da Pessoa. Nela, encontram-se grandes e pequenas histórias de mudanças que acontecem todos os dias ao nosso redor, transformando vidas e fazendo do mundo um lugar mais justo, mais bonito e mais feliz.
Quando eu saí da universidade, vi que precisava criar um espaço de aprendizagem. Há 21 anos resolvi, com um grupo de amigos, criar o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, o CPCD. Nós tínhamos um monte de perguntas, de dúvidas. A primeira pergunta que a gente se fez foi se era possível educar sem escola, porque a gente via muito menino na rua querendo aprender, e que ia pra escola e era expulso. Repetia um, dois anos e saía fora. Havia muito projeto de construção de escolas, e no fim, as salas ficavam vazias.
Então eu fui para a Rádio Clube de Curvelo (MG) e falei: “Vai ter uma reunião das pessoas interessadas pra discutir uma educação sem escola, uma escola debaixo do pé de manga”. Sentamos numa roda e começamos a falar disso. Depois de uma semana de conversa eu vi que a gente não falava de uma escola que a gente gostaria de ter, a gente falava de uma escola que a gente gostaria de não ter. E aí eu transformei aquelas informações num negócio que eu chamei de Não Objetivos Educacionais. O que nós não queremos que aconteça.
Eu mandei pra uma fundação em São Paulo, a Fundação Kellog. O Marcos Kisil viu aquilo, me ligou e falou: “Olha, eu recebi um projeto aqui meio estranho. Não tem objetivos, ele tem não-objetivos”. Eu falei: “Mas é isso mesmo, professor”. Ele falou: “Mas com não-objetivos você vai ter não-financiamento”. Eu falei: “E o senhor vai ter não-resultado e não vai dar certo”. Ele falou: “Isso é uma ideia muito maluca. Vou criar um banco de ideias, vou deixar isso cozinhando aqui pra ver se um dia a gente conversa a respeito”.
Passado uns dois meses ele me chamou: “Se você nos convencer que isso é interessante, nós vamos entrar com você nessa empreitada”. Eu consegui convencê-los e montamos a primeira experiência nossa, o Projeto Sementinha.
O que a gente desenvolveu nesses anos todos foram quatro grandes pedagogias. Uma é a pedagogia da roda, em que tudo o que a gente faz é numa roda e com todo mundo se vendo. A roda produz consensos e não produz eleições; A outra é a do brinquedo, em que é possível aprender matemática, história, geografia, ética, generosidade, solidariedade e sexualidade, jogando e brincando prazerosamente; Outra é a pedagogia do abraço, de construir as relações de autoestima e de solidariedade; E a última é a do sabão, quer dizer, do aproveitamento dos recursos, do conhecimento ancestral para a construção de coisas.
Cada uma delas foi construída e é construída diariamente com a meninada. E desde essa época eu comecei a defender uma ideia que vai na contramão do discurso oficial, que falava que lugar de menino é na escola. É na escola só se for aprendendo, porque se não for aprendendo é chato demais. Lugar de menino é na rua, na praça, no coreto, no shopping. Não temos que tirar os meninos da rua, temos que transformar a rua num espaço de solidariedade. Para nós, solidariedade é construída, não é por decreto. As pessoas não nascem solidárias.
(AsBoasNovas)

Fonte: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/cansado-de-ver-cadeiras-vazias-fundou-uma-escola-debaixo-do-pe-de-manga/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje
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