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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Prece Irlandesa


"Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente às suas costas,
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo,
Que Deus lhe guarde na palma de Suas mãos. "


Prece Irlandesa 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009




DEUS






"Deus costuma usar a solidão



para nos ensinar sobre a convivência.



Às vezes, usa a raiva,



para que possamos compreender



o infinito valor da paz.






Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da
aventura e do abandono.



Deus costuma usar o silêncio para nos
ensinar sobre a responsabilidade
do que dizemos.

Às vezes usa o cansaço,
para que possamos compreender
o valor do despertar.

Outras vezes usa doença,
quando quer nos mostrar
a importância da saúde.

Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar
sobre água.

Às vezes, usa a terra,
para que possamos compreender o valor do ar.

Outras vezes usa a morte,
quando quer nos mostrar
a importância da vida".

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Apenas um canto

Que eu sinta meus pés pulsarem com a terra.
Que meus braços se ergam numa invocação.
Que sopre em minhas mãos uma suave brisa.
Que a água da chuva purifique meu corpo.
Que eu ouça o farfalhar das folhas, ainda que distantes.
Que o perfume das flores invada meu quarto.
Que o calor do fogo sopre na chama da vela.
Que o som de um sino sacramente o silêncio.
Que eu convide o Sol em minha janela todas as manhãs.
Que Ele venha.
Que eu saúde a Lua todas as noites.
Que Ela apareça por entre as nuvens.
Que eu dance em agradecimento.
Que eu cante um canto sagrado.
Que eu veja a movimentação dos pequenos.
Que eu os saúde e agradeça.
Que eu beije a ponta de uma estrela e abrace uma árvore.
Que eu olhe para o céu e deite sobre a terra como criança.
Que eu seja o que sou.
Que eu me olhe no espelho sorrindo.
Que eu morra mil Luas e renasça mil Vidas.
Que eu conheça escuridão e luz.
Que meu caminho tenha encruzilhadas.
Que eu escolha.
Que eu escolha todos os dias.
Que eu escolha, todos os dias, saudar os deuses.
Que eu os saúde:Dentro do círculo e fora dele.
Em meu altar.
Nas manhãs, nas tardes, noites e madrugadas.
Nos solstícios e equinócios.
Em minha cama, em minhas panelas.
Com vinho e com meu sangue.
Com caldeirão e espada.
De corpo e alma.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Carta de uma Bruxa

Eu sou uma bruxa.
Não trabalho para o demônio, não estou interessada no Satã.
Satã foi inventado pelos cristãos.
...
Eu não vou a igreja aos domingos.
Eu não temo ir para o inferno porque eu acredito no inferno tanto quanto acredito no Satã.
Eu acredito em reencarnação;
que voltarei para este mundo ou outro, e viverei outra vida.
Eu não sou má.
Dizer às pessoas que eu sou uma "boa bruxa" ou perguntar-me se sou uma boa bruxa implica que há más bruxas.
Há pessoas más no mundo, e há pessoas que escolhem usar com as forças da natureza no propósito para fazer mal aos outros;
essas pessoas não são bruxas.
A lei principal da bruxa é "Faça o que quiseres sem a ninguém prejudicar".
Por favor, não me pergunte sobre sacrifício de gatos ou profanação igreja.
Eu amo meus gatos.
E eu não vou a igrejas e sinagogas a menos que um amigo de outra religião me convide para uma ocasião especial. E se tenho que entrar numa igreja, eu não vou sofrer um "ataque divino".
E se um cristão, ou um Judeu, ou um budista vem a um ritual pagão, nossos deuses não atacarão até morrer. Não é isso algo a se pensar?
Vestir um pentagrama não é diferente de vestir uma cruz, crucifixo ou uma estrela de Davi.
Se você quer que eu retire o símbolo da minha religião (e Wicca é uma religião, protegida pela mesma Primeira Emenda dos Direitos como outras religiões.) por que é ofensivo, você precisa fazer com que cada um de cada religião o faça também.
Os cinco pontos da estrela simbolizam os cinco elementos: Terra, Ar, Fogo e Água, e o quinto ponto é o Espírito. Circundado pelo Mundo.
Como que pode ofender, não dá para imaginar. Uma imagem de um torturado, um homem agonizando é mais ofensiva, e mesmo assim, milhares de pessoas usam crucifixos todo dia.
Também, não me pergunte se eu estou num coven com aquele jeito horripilante, meio aquele tom de voz "fascinada".
Se eu quero falar sobre meu coven, eu irei educá-la. Se sou um praticante solitário, eu não tenho coven para discutir.
Em qualquer caso, em nossos rituais temos velas, comida, bebida, poesia, dança...
Sim, há uma faca, mas ela só corta o ar, e não carne de alguém.
Eu não bebo sangue.
Não sou a mesma coisa que vampiro.
Eu visto preto porque isso mantém a negatividade fora e porque fica melhor em mim que laranja e bolinhas roxo/púrpura.
Se você quer me perguntar algo relacionado a minha religião, pergunte-me quando a próxima lua cheia vai chegar.
Ou melhor, quando a próxima lua azul vai chegar.
Ou pergunte o que a lua azul.
E Pergunte-me sobre ervas.
Cristais.
Curas.
Às vezes me pedem para fazer uma poção do amor.
Mas eu não lanço feitiços em outras pessoas e não lançarei um feitiço em você para ficar linda, magra, mais atraente.
E eu não vou lançar um feitiço no seu "desejado" para fazer ele te amar. Acredite-me, você não quer isso.
Isso é forma de manipulação, mandar em alguém, infringe na sua liberdade.
Não é bom para ninguém.
E também não vou lançar um feitiço para alguém parar de fazer algo contigo.
Magia funciona como uma co-criação.
Uma bruxa funciona com energia universal, com os deuses, "inclinando" a máquina de probabilidade para algo.
Precisa de dinheiro?
Não tente enfeitiçar seu chefe a dar um aumento.
Simplesmente peça ao Universo que aumente os "fluidos" de abundância e prosperidade em sua direção.
Isso não afeta ninguém.
Última coisa;
dar-me um livro sobre a inquisição é como dar um livro sobre o Holocausto a um judeu.
Não é engraçado, é rude.
Por favor, não tente me deixar envergonhada com o que faço ou o que sou.
Por favor, não tente me converter ou me "salvar".
Não atire água benta em mim.
Não me deixem "santinhos" sobre minha mesa ou pára-brisa.
Eu não necessito ser salva.
Nós somos orgulhosas pelo fato de não precisarmos recrutar pessoas para serem bruxas.
Nós simplesmente somos, e todos a nossa volta nos verão como pensamos, como agimos, na nossa paz interior, e só quando uma pessoa diz "como faço para me tornar uma bruxa?"
Nós fazemos ela adentrar conosco.
Eu nunca irei deixar uma propaganda da religião com alguém.
Eu não tenho uma propaganda, a não ser que considere esta carta como uma.
E eu não estou interessada em convertê-lo.
Eu só peço a você que me compreenda.
E se não quiser me compreender, apenas me deixe sozinha.

http://bruxaguinevere.blogspot.com/2006/08/carta-de-uma-bruxa.html

Signos e Deusas

Cada signo do Zodíaco é regido por uma Deusa da Astrologia e Mitologia:

Aries Atena ou Minerva - a Deusa da Sabedoria e Protectora da Guerra
Nada é impossível e nada foge ao seu controle. Integra-se facilmente no mundo empresarial, usando estratégias inteligentes e pode ser criticada pela frieza que aparenta ter em situações caóticas
Gere o seu patrimônio nunca permitindo que alguem a separe daquilo que a liga aos seus antepassados
Luta pela justiça e seus ideais sendo amante da beleza e da perfeição
Touro
Vénus ou Afrodite - a Deusa do Amor e da Beleza
Faculdade de ser admirada pela sua sensualidade, pelo olhar doce e pelo poder de seduzir o sexo oposto, sem ter de se esforçar
Personalidade forte que atrai pessoas mais fracas que procuram apoio e ajuda


Gemeos Perséfone - a Deusa da Comunicação
Ela estava em contacto permanente com o Deus dos sub-mundos, Plutão
A sua facilidade de comunicação permitia-lhe entrar nos locais mais recônditos do universo
Personalidade curiosa sempre em busca de gente diferente do vulgar, detentora de uma beleza estonteante


Câncer Geres ou Demétria - a Deusa do Lar
Reina no seio da familia e no dos seus muitos filhos
Não é muito ligado ao marido e aos assuntos amorosos e sexuais
Está mais ligada aos objetos, plantas, comida, ambiente
Tenta assegurar bem-estar físico de crianças e idosos, organizando sua vida em função dos cuidados da casa e jardim


Leão Juno ou Hera - A Mulher Perfeita e Poderosa
Rainha perfeita, tanto em beleza como em inteligência
Domina sobre o marido e os filhos, controla a vida da familia e não gosta que lhe escondam o que for
Assume erros e defeitos dos outros e defende-os mas não assume papel secundario, é independente, orgulhosa, controladora e muito ciumenta

Virgem Vesta ou Héstia - a Deusa da Sensualidade
É a pureza na sua verdadeira essência. Cria ao seu redor uma serenidade protectora e intimida os homens Simboliza o fogo sagrado que ilumina e aquece
Preserva o seu espaço e privacidade, aprecia ambientes de paz e quietude A sua casa é um templo sagrado que ninguem pode violar, por vezes acusada de ser pouco sociável.


Libra Psyche - a Deusa da Sociedade
Seu lema de vida: - "vou se tu fores comigo" mas Cupido apaixonou-se por ela
Detesta a solidão, desafios, o que ultrapassa a sua compreensão mas é fanatica pela reciprocidade
Acha que ha tempo para tudo, com calma Gosta de chamar a atenção do sexo oposto mas, depois não lhes dá atenção, desaparecendo quando menos esperam
Escorpião Lilith ou Lua Negra - a Deusa Sedutora e Fugidia
Deixou o Éden porque não consentia que Adão a dominasse
Preferia ser 'caçadora' a 'caçada' Reivindica igualdade, liberdade de agir, de escolher e decidir
Tem forte magnetismo e uma personalidade incrivelmente sedutora
Sagitario Ísis - a Mãe Solteira
Não admite interferência na sua vida privada, escolhe os amigos e a familia, ignorando quem não gosta
Escolhe para companheiro alguem que se ausente com freqüência porque dificilmente agüenta uma relação constante Os filhos são educados como colegas com quem troca opiniões e tem diálogos francos e diretos
Capricórnio Hecate - a Deusa das Negociações - Guardiã das estradas e caminhos
Deusa do poder que controlava as situações políticas e burocráticas Era imune ao poder de sedução do sexo oposto e dificilmente se deixava influenciar
Tem poder de decisão e acaba por se tornar no pólo de atração das negociações entre os mais diversos elementos, seja em casa ou no local de trabalho


Aquário Astarte ou a Estrela - a Deusa dos Espaços Infinitos
A 17ª carta do Tarot, magnetica, ampla visão das coisas e pessoas e uma espiritualidade vincada
Aprecia conviver, conversar e estar rodeada de bons amigos se bem que, de vez em quando necessite de se libertar e partir para o mundo das ideias e conceitos


Peixes Diana - a Deusa da Lua e da Caça
Ela caçava e era apanhada nas suas próprias armadilhas, age em função do seu profundo instinto, seus desejos realizam-se com rapidez, se assim não for, rapidamente procura novas motivações
Convincente, sedutora e fugidia, conseguindo atrair toda a atenção e olhares

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

No infinito de dentro, a sabedoria do eterno

:: por Wagner Borges ::

Nada sei sobre o que você me pergunta. Não conheço o futuro nem os mistérios universais. Também, pudera: sou apenas um espírito, assim como você mesmo. Quem tem as grandes respostas é o Grande Espírito. Mas duvido que eu ou você possamos entendê-las. Para compreender grandes coisas, só sendo grande também.

No entanto, podemos compreender os pequenos mistérios, aqueles dentro de nós mesmos. E, quem sabe, não encontramos dentro do pequeno a essência do grande?

Deus é esperto. Talvez tenha escondido a grandeza universal dentro da pequena semente. Ou, talvez, dentro de nossos corações! De toda forma, fica esquisito tentar conhecer o infinito de fora sem conhecer a si mesmo. Sim, há também um infinito de dentro, desconhecido e intangível, até o momento.

Muitas vezes, o vácuo consciencial que sentimos é por causa desse desconhecimento sobre nós mesmos. Na verdade, somos muito mais do que aparentamos e muitos menos do que aquilo que supomos ser.

Portanto, diante do infinito, só sei que pouco sei! E mesmo isso é relativo... eu sei!

Você escreveu para o cara errado: não sou guru, mestre ou coisa do gênero.
Não tenho respostas cósmicas para nada! Não dissolvo carma de ninguém (e ainda pago aluguel!). Sou só um espírito, assim como você, tentando crescer e aprender muito nesse mundão de Deus.

Não sou avatar nem salvador, ou mesmo emissário virtuoso da Nova Era. Reencarnei porque precisava, assim como quase toda a humanidade. Isso eu sei: reencarnei na Terra pelo mesmo motivo que o seu e o de quase todos:
Aprender o que der e fazer o melhor possível.

Por isso, penso que você deve escrever para algum grande ser de luz; quem sabe Buda ou Jesus não lhe respondam? Eles conhecem grandes coisas, na prática; são feras no assunto e cheios de paciência e compaixão. E, se eles responderem, por favor, venha me contar e compartilhar tudo. Agora, se eles disserem para você se conhecer por dentro primeiro, também me conte, quem sabe se, no meio da risada sadia e descomprometida em perguntar e responder, não pinta a iluminação real?

De toda forma, enquanto não descobrimos os grandes mistérios, de dentro e de fora, que tal tentarmos ser felizes no aqui e agora da vida? Enquanto o grande não vem, vamos fazer o melhor possível no pequeno mesmo.

Desculpe não responder o que você queria, mas é que não tenho grandes respostas mesmo. Só sei que preciso viver, amar, sorrir, aprender e seguir... e você também!

PS.: O fato de eu escrever sobre temas espirituais não me torna espiritualizado.
Na verdade, sou um cara sortudo, pois pego carona nas vibrações dos amigos espirituais. Além de eles me aturarem, ainda me passam toques conscienciais pertinentes e abrem frestas entre os planos, para que eu possa viajar além e aprender coisas legais. Daí, repasso o que aprendo extrafisicamente nos escritos que veiculo no intrafísico.

Cada texto é como uma semente espiritual plantada nos corações dos leitores.
Se o terreno é fértil, a mesma germinará a sintonia espiritual adequada, e alguma coisa boa brotará.

Logo, não sou guru ou sábio. Estou mais para "espírito-sementeira", tentando fazer o melhor possível: projetar os textos-sementes nos corações dos leitores sensíveis aos valores espirituais sadios!

Aos trancos e barrancos, vou fazendo esse serviço. Não sei dos mistérios universais, mas sei da qualidade espiritual das sementes lançadas por aí...
Como sei, também, que o Grande Arquiteto do Universo é o verdadeiro dono das sementes, dos terrenos, dos amigos espirituais, dos leitores, do escritor e de tudo mais na vida infinita. Só Ele é que sabe o real valor das coisas, de dentro e de fora.


(Resposta a um e-mail recebido).

Wagner Borges é pesquisador,
conferencista e instrutor de cursos de Projeciologia
e autor dos livros Viagem Espiritual 1, 2 e 3 entre outros.

Extraído de: http://somostodosum.ig.com.br

A vida é simples


...
A vida é simples e tudo, tudo, tudo mesmo faz sentido. Basta olharmos para ela com os olhos do coração, abrindo-o como se faz com uma janela num dia de sol. A vida se mostra em toda sua força quando amamos. Quando nos amamos, quando damos um afago, um carinho, um abraço, um beijo, um toque suave ou um sorriso espontâneo. Às vezes basta um leve aceno com a cabeça para um aparente desconhecido, ou buscar um pensamento de unidade, de pertencermos, de termos aqui muito amor para doar, agora mesmo, neste instante, onde vc estiver, seja o que for que estiver fazendo. Basta enviar um pensamento de amor verdadeiro para alguém distante, vc sabe que chegará lá. Poderá ser um beijo soprado na palma de sua mão para alguém que precise ou, último, mas não menos importante, levantar a cabeça, olhar pra cima com aquele sentimento bem profundo de agradecimento a quem bolou isso tudo aqui na Terra, mesmo sabendo que na realidade este Ser/Energia cósmica mora bem dentro de nosso peito.
Extraído de:
http://somostodosum.ig.com.br/boletim/sentidovida.asp

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Não tente mudar:


Tente entender isto. Você está tenso, você está infeliz, você está deprimido, com raiva, voraz, violento. Mil doenças estão presentes. Ainda assim, você pode praticar o silêncio. Estas doenças estarão dentro de você e você pode criar uma camada de silêncio. Você pode fazer meditação transcendental; você pode usar um mantra. O mantra não irá mudar sua violência, nem irá mudar sua avareza. Não irá mudar nada profundamente. O mantra pode apenas dar um efeito tranqüilizante. Apenas na periferia, você se sentirá mais silencioso. Isso é apenas um tranqüilizante, um som tranquilizador e a tranqüilização é possível através de muitos meios - muitos meios. Quando você repete um mantra continuamente, você se torna sonolento. Qualquer repetição contínua de um som cria tédio e sono. Você se sente relaxado, mas este relaxamento está apenas na superfície. Dentro, você permanece o mesmo.
Continue praticando um mantra todo dia e você sentirá um certo silêncio - mas não verdadeiramente, porque suas doenças não mudaram, sua estrutura de personalidade permanece a mesma. Ela está apenas disfarçada. Pare com o mantra, pare a prática e todas as suas doenças voltarão novamente.
Isto está acontecendo em todo lugar. Buscadores vão de um professor a outro. Eles prosseguem nisso, praticando, e quando eles param suas práticas, descobrem que são os mesmos; nada aconteceu. Nada acontecerá desta maneira. Estes são silêncios cultivados. Você tem que continuar cultivando-os. Naturalmente, se você continua cultivando-os, eles permanecem com você apenas como um hábito, mas se você quebra o hábito, eles desaparecem. Um silêncio real vem não por se usar uma técnica superficial, mas por você estar consciente de tudo o que você é - não somente estar consciente, mas permanecer com o fato daquilo que você é.
Permaneça com o fato. Isto é muito difícil porque a mente quer mudar. Como mudar a violência, como mudar a depressão, como mudar a infelicidade? A mente procura mudar para criar de certa maneira uma imagem melhor no futuro. Por causa disso, a pessoa continua procurando este e aquele método.
Permaneça com o fato e não tente mudá-lo. Faça isso por um ano. Fixe uma data e diga que: "A partir desta data, por um ano, eu não pensarei em termos de mudança. Eu permanecerei com tudo aquilo que eu sou; eu apenas estarei alerta e consciente". Eu não estou dizendo que você não terá que fazer nada, mas esse estado alerta é o único esforço. Você tem que estar alerta, não pensando em termos de mudança; permanecendo com tudo aquilo que você é - bom, mau, o que quer que seja. Um ano, sem nenhuma atitude de mudança, apenas estando alerta, de repente um dia você descobrirá que você não é mais o mesmo. O estado de alerta terá mudado tudo.

A causa não está fora:


Lembre-se de uma coisa: sempre que você sentir que alguma coisa está errada, primeiro encontre a causa em si mesmo. Não vá para nenhum lugar. Em cem vezes, noventa e nove vezes você encontrará a causa dentro de si mesmo. E se você encontra a causa dentro de você, noventa e nove vezes em cem, a centésima causa irá desaparecer por si mesma.
Você é a causa de tudo o que lhe está acontecendo. Você é a causa e o mundo é apenas um espelho. Mas sempre é um consolo encontrar a causa em algum lugar mais. Então você nunca sentirá culpa, você nunca sentirá autocondenação. Você sempre pode apontar que aqui está a causa e a menos que esta causa mude, "como eu posso mudar?". Você pode escapar com isso; isso é um truque. Assim, sua mente sempre continua projetando as causas em algum outro lugar. A esposa está perturbada por causa do marido; a mãe está perturbada por causa dos filhos; os filhos estão perturbados por causa do pai. Todo mundo está perturbado por causa de alguém mais e todo mundo sempre pensa que a causa existe externamente.
Você está perturbado por causa de alguém mais; essa pessoa está perturbada por causa de você. E você está criando tudo a sua volta, projetando, e então ficando temeroso, ferido e fazendo esforços para se defender. E então existe miséria e frustração e conflito e depressão e luta.
A coisa toda é estúpida e ela permanecerá a menos que você mude sua atitude. E sempre tente primeiro encontrar a causa dentro de você.




Pois é...



Dentro dos anos de minha vida, eu, Tenzin Gyatso, o monge buddhista, serei apenas uma lembrança. Na verdade, é pouco provável que qualquer uma das pessoas que estejam agora lendo estas palavras possa estar viva daqui a cem anos. O tempo passa inexoravelmente. Quando cometemos erros não podemos voltar os ponteiros do relógio para tentar outra vez. A única coisa que podemos fazer é usar bem o presente. Então, quando nosso último dia chegar, poderemos olhar para trás e ver que vivemos vidas plenas, produtivas e significativas, o que nos trará algum conforto. Do contrário, a tristeza pode ser muito grande. A escolha entre as duas alternativas cabe somente a nós.

A melhor maneira de ter certeza de que um dia nos aproximaremos da morte sem remorsos é agindo de maneira responsável e manifestando compaixão pelos outros no presente. Na verdade, isso é de nosso próprio interesse e não apenas porque vá nos beneficiar no futuro. Como vimos à compaixão é uma das coisas que mais dão sentido às nossas vidas. É a fonte de toda felicidade e alegria duradouras. É o alicerce de um bom coração, o coração daquele que age motivado pela vontade de ajudar os outros. Por meio da bondade, da afeição, da honestidade, por meio da verdade e da justiça para com todos os outros é que asseguramos nossos próprios benefícios. Esta não é uma questão para ser debatida com teorizações complicadas. É uma questão simples, de bom senso. Não há como negar que a consideração pelos outros é algo valioso. Não há como negar que a nossa felicidade está inextricavelmente entrelaçada à felicidade dos outros. Não há como negar que, se a sociedade sofre, nós também sofremos. Nem há como negar que quanto mais animosidade há em nossos corações, mais infelizes nos tornamos. Por isso, podemos rejeitar tudo o mais: religião, ideologia, toda a sabedoria recebida. Mas não podemos escapar à necessidade de amor e compaixão (...)


A aquisição de objetos materiais não proporciona satisfação duradoura. Não importa quantos amigos conquistemos, não serão eles que de fato vão fazer a nossa felicidade. E entregar-se aos prazeres dos sentidos é apenas um convite a várias formas de sofrimento. É como o mel lambuzado na lâmina de uma espada. Nem por isso devemos desprezar nosso corpo. Pelo contrário, pois não podemos fazer nada por ninguém nem por nós mesmos sem que ele esteja bem. Mas precisamos evitar os extremos que podem nos prejudicar.

Quando nos concentramos no que é mundano, o essencial permanece escondido de nós. É claro que se pudéssemos ser verdadeiramente felizes dessa maneira, este tipo de vida seria inteiramente razoável. Mas não podemos. Na melhor das hipóteses, a vida vai transcorrendo sem grandes aborrecimentos. Mas os problemas chegam, mais cedo ou mais tarde, e nos encontram despreparados. Não sabemos como lidar com eles. E nos desesperamos, e nos lamentamos.

Portanto, uno minhas duas mãos e apelo a você, leitor, para que torne o resto de sua vida tão significativo quanto possível. Faça isso através da prática espiritual, se puder. Como espero ter deixado claro, não há nada de misterioso nisso. Consiste apenas em agir levando os outros em consideração. E se você o fizer com sinceridade e persistência, pouco a pouco, passo a passo, será capaz de reordenar seus hábitos e atitudes e pensar menos em seu pequeno mundo de interesses e mais nos interesses de todas as outras pessoas. E encontrará paz e felicidade para si mesmo.

Viva com a mente no presente, com sabedoria para planejar o futuro e guarde apenas do passado aquilo que te fez crescer, sem saudosismo. Abandone a inveja, o ciúme, controle sua língua, procure não ser uma pessoa irritada, brigona, raivosa, sem controle emocional, desapegue-se do desejo de sobrepujar os outros. Em vez disso, tente fazer bem a eles. Com bondade e gentileza, com coragem e confiando que é assim que terá sucesso de fato, receba-os como um sorriso. Seja franco e honesto. Seja uma pessoa de palavra. Quando promete que vai fazer algo, cumpra realmente o que prometeu fazer. E tente ser imparcial. Trate todos como se fossem amigos muito próximos. Não digo isso como Dalai Lama ou como alguém que tenha poderes ou talentos especiais. Não os tenho. Falo como um ser humano, alguém que, como você, quer ser feliz e não sofrer.

Mas se você por algum motivo não puder ajudar os outros, procure ao menos não lhes fazer nenhum mal. Considere-se um turista. Pense no mundo como é visto do espaço, tão pequeno e insignificante, e ainda assim tão belo. Haveria realmente alguma coisa a ganhar fazendo mal a alguém durante a nossa estada aqui? Não seria preferível e mais razoável divertir-se e aproveitar a ocasião tranqüilamente como se estivesse visitando um lugar diferente? Portanto, se em seu passeio pelo mundo você dispuser de um momento, tente ajudar, mesmo que de forma modesta, aqueles que são oprimidos ou que por alguma razão não podem ou não querem ajudar a si mesmos. Tente não dar as costas àqueles cuja aparência é perturbadora, aos maltrapilhos e enfermos. Procure nunca pensar neles como se fossem inferiores. Se puder, não se considere melhor do que nem mesmo o mendigo mais humilde. Vocês dois terão a mesma aparência depois da morte.

Para encerrar, gostaria de compartilhar com você uma breve oração que serve de grande inspiração para meu propósito de fazer bem aos outros.


Que eu me torne em todos os momentos, agora e sempre,
um protetor para os desprotegidos,
um guia para os que perderam o rumo,
um navio para os que têm oceanos a cruzar,
uma ponte para aos que têm rios a atravessar,
um santuário para os que estão em perigo,
uma lâmpada para os que não tem luz,
um refúgio para os que não tem abrigo
e um servidor para todos os necessitados.


S.S. o Dalai Lama - Uma Ética para o Novo Milênio

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Entrevista com Deus



"Sonhei que estava à porta de Deus, para entrevistar-lhe e,
disse Deus:

- Entra, então queres entrevistar-me?

-Se tens algum tempo para mim...

Ele sorri, atrás daquela barba e diz:

-O meu tempo chama-se eternidade, e chega para tudo.
O que queres saber?

-Nada que seja muito difícil para Deus.
Gostaria de saber o que mais te surpreende nos seres humanos.

Deus responde:

-Eles fartam-se de ser crianças e têm pressa por crescer,
e ao crescerem suspiram por voltar a ser crianças...

Primeiro perdem a saúde para ter dinheiro,
e logo em seguida perdem o dinheiro para ter saúde...

Pensam tão ansiosamente no futuro que descuidam do presente,
e assim, não vivem o presente nem o futuro...

Vivem como se estivessem morrendo
e morrem como se não tivessem vivido!!!"

Extraído de: www.sabedoriadosmestres.com

Trios Importantes


Três verbos existem que, bem conjugados, serão lâmpadas luminosas em nosso caminho:
- Aprender
- Servir - Cooperar

Três atitudes exigem muita atenção:

- Analisar - Reprovar - Reclamar

De três normas de conduta jamais nos arrependeremos:

- Auxiliar com a intenção do bem
- Silenciar - Pronunciar frases de bondade e estímulo

Três diretrizes manter-nos-ão, invariavelmente, em rumo certo:

- Ajudar sem distinção - Esquecer todo mal - Trabalhar sempre

Três posições devemos evitar em todas as circunstâncias:

- Maldizer - Condenar - Destruir

Possuímos três valores que, depois de perdidos, jamais serão recuperados:
- A hora que passa - A oportunidade de elevação - A palavra falada

Três programas sublimes se desdobram à nossa frente, revelando-nos a glória da Vida Superior:
- Amor - Humildade - Bom Ânimo

Que o Senhor nos ajude, pois, em nossas necessidades, a seguir sempre três abençoadas regras de salvação:
- Corrigir em nós o que nos desagrada em outras pessoas - Amparar-nos mutuamente - Amar-nos uns aos outros.

(André Luiz )
Psicografado por Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Prece


“Ó Deus de bondade e misericórdia, peço que jamais permita que o senso comum seja a direção seguida, que a vontade de continuar o combate jamais cesse, independente de quem seja o meu inimigo.

Que por mais tentadores que sejam os atalhos, eu percorra sempre o caminho das intuições, pois de uma maneira que não consigo explicar, sei que todos nós temos uma intuição que nos guia e ela sempre se manifesta quando precisamos embora muitas vezes tentamos ignorá-la.

Que as mais diversas armadilhas e ilusões que são colocadas em nosso caminho não sejam capazes de nos fazer desistir, que nenhum bem estar aparente nos cegue para aquilo que acreditamos e que jamais nos contentemos com menos do que sonhamos.

Que o tão poderoso medo, não nos faça fingir a felicidade, maturidade ou a realização e que estes quando atingidos, não nos remetam ao esquecimento do que realmente somos e buscamos por toda a nossa trajetória.

Que as pessoas entendam a importância de amar ao próximo e de se colocar em seu lugar antes de qualquer julgamento.

Que consigamos ser sempre solidários, que aceitemos nossas diferenças e que elas sejam usadas para nos completar como um todo.

Peço ainda que sejamos capazes de compreender e aceitar que não controlamos tudo e que isso não é ruim desde que saibamos aceitar.

Que o tempo jamais seja desculpa para os nossos nãos, porque na maioria das vezes usamos essa desculpa e sabemos que é uma inverdade.

Que estejamos sempre prontos para a hora de partir, porque fingir que esse dia não chegará, apenas nos impede de seguir adiante, de ser quem realmente somos e acaba por nos matar enquanto ainda estamos vivos.

Enfim, peço que nos mantenha sempre com coragem para mudar as coisas que devem ser mudadas, mesmo as que parecem impossíveis, porque no nosso íntimo sabemos sempre o que deve ser feito, mas nem sempre temos a coragem de fazê-lo, que da próxima vez que nos depararmos com situações de injustiça, preconceitos, desigualdade e descaso, manifestemos a nossa vontade (e poder) de transformar as coisas, porque a nossa omissão diante desses atos é uma maldade muito maior do que qualquer um deles.”

Extraído de: www.alguemcomovoce.blogspot.com

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Humildade II


"Aquele que busca a Verdade deve, antes de tudo, ser tão

humilde como o pó. O mundo pisa sobre o pó, mas quem

persegue a Verdade deve ser tão humilde que mesmo o pó

poderia pisá-lo."


(Gandhi)

HUMILDADE



Um grupo de sábios reuniu-se num castelo para discutir sobre a obra de Deus. Queriam saber por que o homem havia sido criado no sexto dia. Sobre isso, um deles argumentava:

-Ele pensava em organizar bem o Universo, de forma que pudéssemos ter todas as maravilhas.

Outro dizia: -Ele quis primeiro fazer alguns testes, de modo que não cometesse os mesmos erros conosco.

Neste momento, chegou um outro sábio para a reunião e o tema da discussão lhe foi apresentado:

-Na sua opinião, por que Deus criou o homem no sexto dia?

-Simples! Para que, quando fôssemos tocados pelo orgulho, nos lembrássemos de que até mesmo um pequeno mosquito teve prioridade no Trabalho Divino.

(Autor desconhecido)

SALVE JORGE / SALVE PAI OGUM



Andarei vestido e armado com as armas de São Jorge
para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos
não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nenhum
pensamento possam ter para meu mal.
" Armas de fogo meu corpo não alcançarão,facas e lanças se
quebrarão sem a meu corpo chegar, cordas e correntes arrebentarão
" Jesus Cristo me proteja e defenda com o poder da sua Santa e Divina Graça.
" A Virgem Maria de Nazaré me cubra com o seu sagrado e divino manto,me
protegendo em todas as minhas dores e aflições.
" Que Deus, com a sua Divina Misericórdia e grande poder seja o meu
defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.
" Oh, Glorioso São Jorge,em nome da falange do Divino Espírito Santo,
estende-me o teu escudo e tuas poderosas armas"

O perigo dos pequenos pensamentos negativos

Como é verdadeiro o fato de que basta seguirmos um ínfimo pensamento negativo para desencadearmos uma série de dúvidas e frustrações! Nossos pequenos pensamentos negativos são como um vírus, que rapidamente se multiplica e cresce, causando-nos febre e mal-estar.

É preciso manter nossa mente sob uma lente de aumento de microscópio.

Como são tantos os pensamentos que fluem em nossa mente, na maioria das vezes não nos damos conta do quanto somos invadidos por atitudes mentais destrutivas. É como a gripe: na maioria das vezes, só percebemos que estamos gripados quando começamos a nos sentir mal. Mas assim como é possível reverter um processo gripal se soubermos identificar seus menores sintomas, podemos reverter a mente negativa ao aprender a identificá-la assim que ela surgir.

Lama Gangchen Rinpoche nos ensina a reconhecer os menores sinais de mudança de nossa mente nas diversas expressões de rosto: elas refletem as nuanças de cada forma-pensamento. Para tanto, ele nos estimula a usar nossa capacidade de manter a atenção como um espelho. Isto é, se estivéssemos vendo nossa imagem 24 horas refletida num espelho, ficaríamos surpresos ao ver quantas de nossas expressões faciais não são tão belas quanto aquelas que tentamos fazer quando nos olhamos no espelho rapidamente para nos arrumar.

“Se não queremos mais ter faces feias, temos que começar por admitir que costumamos fazê-las”, alertou Lama Gangchen Rinpoche em seus ensinamentos.

Mas, por que fazemos faces feias? Rinpoche nos lembra que estas faces expressam nossa fome e sede interior que se agravam à medida que não fazemos nada para saciá-las! Costumamos perder mais tempo nos lamentando da fome do que gerando recursos para supri-la. Isso ocorre porque conhecemos pouco os alimentos da alma. O que torna nossa mente sutil satisfeita?

São atitudes que nutrem nosso corpo e mente sutil: orar, recitar mantras, fazer visualizações criativas, assim como mover o corpo com gestos pacíficos. Temos que admitir que nossas atitudes habituais não nos nutrem verdadeiramente, pois são o resultado de uma mente pequena que quer apenas se proteger, se defender. Mas possuímos também uma mente grande, que busca naturalmente por evolução.

Thomas Moore, em seu livro O que são almas gêmeas (Ed. Ediouro), comenta que por mais verdadeiros que sejam os problemas da vida prática, eles nunca são idênticos às preocupações da alma. Por isso, escreve: “Para nos devotarmos à alma, talvez seja preciso soltar outros vínculos, e para permitir que a alma expresse sua própria intencionalidade e propósitos, talvez tenhamos que abrir mão de antigos valores e expectativas”.

De fato, as exigências da alma podem nos parecer paradoxais. Por exemplo, quem não conhece o desejo de querer se libertar das atitudes baseadas no apego, como o ciúme? Apesar da alma não querer viver sob a tensão do controle, nossa mente pequena encontra apenas segurança quando controla tudo e todos...

Por isso, sentir a satisfação interior é uma tarefa difícil demais para uma mente pequena!

Lama Gangchen nos ensina a diferenciar as atitudes mentais entre uma pequena e uma grande mente. Quanto estamos sob os ditames da mente pequena, dizemo-nos: “Eu não sei... eu não quero... eu não posso”... Mas quando atuamos com nossa mente grande, proclamamos sem dificuldade: “OK, eu posso lidar com esta situação, seja ela agradável ou não”.

A mente grande não rejeita nenhuma experiência da vida. Afinal, ela não está contaminada por atitudes covardes ou indulgentes. Se passarmos a observar honestamente quantas situações podemos enfrentar se não seguirmos nossa mente pequena, ficaremos surpresos e felizes em notar que podemos fazer muito mais do que estamos habituados.

Temos que admitir que as atitudes mentais de uma mente pequena não nos nutrem verdadeiramente, pois são o resultado da insegurança. Uma mente pequena diz que não sabe, mesmo antes de se questionar. Diz que não quer, sem ter consultado seus desejo mais profundos. Baseadas na carência, são atitudes que buscam se defender sem até mesmo terem sido atacadas. Uma mente pequena é tendencialmente competitiva. Apesar de ser uma mente baseada na crença de ser excluída e solitária, não busca por união. Já a mente grande busca naturalmente evoluir, unir, comungar.

A mente pequena nutre o sofrimento, enquanto que a mente grande sabe como absorvê-lo. O sofrimento perde sua força ao passo que é reconhecido pela mente grande. Por isso, os mestres budistas nos incentivam a dialogar com o nosso sofrimento. Lama Gangchen nos fala: “Deixe a sua sabedoria conversar com a sua ignorância. Dê tempo e espaço para sua sabedoria de expressar. Ela não deve ficar oprimida pela ignorância”.

A agitação interior é um reflexo do movimento de uma mente pequena. Se nos determinarmos a não segui-la e, cultivarmos uma atitude de calma e a atenção, já estaremos manifestando naturalmente nossa mente grande!


Bel Cesar é terapeuta e dedica-se ao atendimento de pacientes que enfrentam o processo da morte.
Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete, Morrer não se improvisa, O livro das Emoções e Mania de sofrer pela editora Gaia.
Email: belcesar@ajato.com.br

NÃO BASTA EXISTIR



"Não basta existir, é preciso viver. E viver é muito mais que existir. Viver implica aprender e, para ser aprendiz, é preciso humildade para reconhecer a própria ignorância. Viver implica educar-se para o amor e, amando e amado, experimentar a angústia de saber-se iluminado sem sentir-se luz, vivenciando as dores e as venturas de sentir-se completo sem poder ser pleno. Viver implica movimento. E não há movimento sem esforço e atrito.

A vida é dinâmica, jamais se estanca. Vibra serena e sem pressa, embora nunca pare para esperar quem ignore seu ritmo. Para existir, basta estar. Para viver, é preciso ser por inteiro. E para viver, ainda que existindo, é preciso ser e estar, num ser único.

Viver implica acreditar-se imortal e eterno, mesmo sabendo que nada é permanente. Viver implica progredir, ir adiante, avançar. Viver é existir de todas as formas e em todas as dimensões, amando cada uma delas.

Para viver, não basta ver, ouvir, pensar e falar, pois estas são manifestações da existência. Para viver é preciso sentir, mergulhar em si mesmo e sair, novamente, para observar-se sem paixão.

Viver implica iluminar-se e, sob a luz da própria consciência, apontar os próprios defeitos e limites. Viver implica assumir a responsabilidade pelos próprios atos, transformando-os todos em gestos de amor e compaixão. Viver implica conhecer-se, profundamente e, ciente de si, deixar de enganar-se, trabalhando para mudar aquilo que não está bem. Viver implica reconhecer, no universo, o próprio lar; nas humanidades cósmicas, a própria família; na criação infinita, o próprio berço; e na natureza a própria saúde e o único sustento.

Não há vida sem troca, não há troca sem perdas, não há perdas sem ganhos, não há ganhos sem lutas, não há lutas sem dor, não há dor sem razão; e não há razão fora da vida. Viver é muito mais que existir, mas ninguém aprende a viver plenamente sem existir, muitas vezes, de muitas maneiras.

Viver é transcender o que se pensa saber da vida, para assimilar-lhe a verdadeira sabedoria. Viver implica arriscar-se. E o maior risco é errar. Mas viver também implica estar certo. E a maior certeza é a de que, a cada erro, mais se pode aprender.

Para existir basta ter sangue nas veias e ar nos pulmões. Para viver, no entanto, é preciso sangrar e sufocar-se de tanto amor. Na existência, há apenas meias verdades e grandes mentiras, enquanto a vida nos conduz ao coração da única verdade absoluta.

Viver é manifestar-se sem tempo ou espaço; é ser fogo ardendo sempre, sem se consumir; é verbo que não se conjuga, apenas se pratica; é palavra que não se define, apenas se verbaliza; é conceito que não se explica, apenas se vive.

Viver é estar no todo, sendo tudo, sem nunca esgotar-se.

Quem vive, canta por dentro, a despeito do silêncio exterior. Quem vive, existe em todos os lugares, sem pertencer a nenhum. Quem vive, busca, em si mesmo, o que deseja para o seu caminho e, quando encontra, volta a buscar. Quem vive não vê morte, apenas transformação; não morre, transmuta-se para a vida; não nasce, apenas passa pela morte para viver.

Viver é ir mais, mudar sempre, virar-se e revirar-se, buscar o próprio avesso, sem saber onde fica o direito. Viver é enxergar a luz, mesmo nas sombras e criar luz nas próprias trevas. Viver é expandir a própria existência para além dos limites imaginados. Viver é doar-se, sem pedir; é ceder, sem resistir; é entregar-se, sem recear.

Quem vive renasce um novo ser todos os dias. Quem vive tem a própria existência traçada a lápis e recria o próprio destino, minuto a minuto, com a borracha da sabedoria e do perdão. Quem vive não sabe o roteiro ou quando chegará, mas sabe para onde está indo. Quem vive continua na morte e recria-se ao nascer, sabendo que é preciso morrer muitas vezes para nascer de verdade e é preciso existir para morrer tanto.

Viver é ter na própria consciência uma única história, representada por milhares de faces, nomes, episódios de milhares de existências. Para viver não basta existir, pois existir é pouco para um ser que nasceu para ser Deus.

São Paulo, 02 de fevereiro de 2005.
Este texto foi recebido espiritualmente de um amparador extrafísico, durante uma reunião do Grupos de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB.

por Maísa Intelisano - alfamintelis@yahoo.com
Texto extraído de: http://somostodosum.ig.com.br

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Dalai Lama em breve diálogo com Leonardo Boff

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
- Santidade, qual é a melhor religião?
Esperava que ele dissesse:
"É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo".
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos - o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida
na pergunta - e afirmou:
- A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor.
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
- O que me faz melhor?
- Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião...
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.

Caminhando sob a Senda Mística


Ao enveredar no caminho obscuro da Senda Mística
olhe-se diante do espelho everás o que te espera –
Conhecer a Ti mesmo.

Conhecer a si mesmo não é se fechar sob a caixa de pandora e exigir que se abra.
Nem acreditar que somente aquilo que vê e sabe é real.
Tente olhar com o olho do outro.

Há coisas que somente podem ser vistas eentendidas pelo ponto de vista do outro.
Somente assim poderá aprender o que ooutro escreveu e ensinou.

E então poderá despertar o seu mestre interior e ver com seus próprios olhos.
Ao adentrar no olho do outro aprenda como se faz,
porque se faz e o que se faz.
E ao retornar a olhar com seus próprios olhos,
respire fundo e faça.

Nenhum conhecimento pode ser declarado conhecimento se não houver ação.
Se criares barreiras entre o seu modo de ver e o dos outros,
viverá fechado e comprimido em si mesmo.
Ao ver com os olhos dos outros,
poderá entendê-los e saber o que realmente estão pensando.
Quando aconselha alguém com o seu ponto de vista na intenção de dizer o que você faria em vez de entender o que ele deve fazer do ponto de vista dele,
comete um sacrilégio contra a vontade humana.

Por isso,
é importante não tentar entender ou julgar os outros pelo seu ponto de vista.
Ninguém tem o direito de viver a vida do outro,
principalmente fazendo-os enxergar apenas a nossa vida como exemplo,
por achar, de forma egoísta, que sabemos exatamente como eles devem viver.
Quando lemos um livro importante ou quando somos guiados por um mestre espiritual conhecemos o que os outros pensam.

Ser guiado não é o mesmo que ser alienado,
alienação e entregar aos outros a sua vontade.
E é por esse motivo que se procura conhecer a si mesmo
e despertar seu mestre interior para poder enxergar com os próprios olhos.

Aquele que caminha sob a Senda Mística pode ser acusado de fugir ao problema no que se refere à verdade,
ainda que não descubra a "verdade em si",
irá descobrir que tudo possui uma questão cultural,
uma falsa consciência e muitas circunstâncias desconhecidas,
relevantes para sua descoberta.

Na realidade,
se acreditarmos já possuirmos a verdade,
perderemos o interesse em descobrir as próprias intuições
que nos conduziriam a uma compreensão aproximada
e não estaríamos prontos para entender os dogmas e os paradigmas que criamos.

Os paradigmas são modelos, diretrizes,
formas de pensamento ou caminhos e teorias que construímos.
Ao romper um paradigma surge um outro, ao quebrar uma regra forma-se outra.
Se disser que não "existe regras e que tudo é feito pela vontade",
acaba formando uma nova regra.

Quando se muda um paradigma promocionado não significa falta de lei ou de ordem.
Tudo tem um significado e uma representação,
mesmo sendo nós os grandes produtores desses paradigmas.

Para isso,
não podemos enxergar apenas pelo meio da causa e efeito ou pela ação e reação.
Em um tudo há um significado ou uma representação.
Há um significado na causa e outro no efeito.
Até mesmo o acaso possui um significado.

Eles podem representar uma manifestação da vontade e da lei.
Ao conceder a experiência mística o único meio adequado de se revelar ao homem sua natureza e sua espiritualidade,
ainda é preciso admitir que o elemento inefável almejado para adentrar na senda do conhecimento espiritual não pode ser possível sem uma mudança de postura,
autoconhecimento,
de conhecimento social e cultural estabelecido pelos conceitos éticos e morais.

O conhecimento cognitivo que se processa no interior do cérebro não é suficiente para embrenhar na Senda Mística.
Este conhecimento lógico não é a única forma de aprendizagem.
É preciso um conhecimento de sensibilidade,
que venha do tato e que não passa apenas pelo cérebro.

É necessário visualizar,
pegar,
sentir,
tatear com as mãos,
abstrair e concretizar conhecimentos para poder imaginar e despertar a Fé em si mesmo.

Nenhum conhecimento está centrado exclusivamente no cérebro,
mas também nos sentidos,
na percepção e na intuição.

As bases fundamentais são:
Conhecer a ti mesmo,
a Fé,
Conhecimento e a Vontade.

Conhecer a ti mesmo é o primeiro desafio para obter consciência de si mesmo e do que é capaz.
Não se pode dizer que conhece tudo o que está ao redor se não conhece a si mesmo.
Somente conhecendo sua divindade e seu demônio saberá o que é capaz de fazer.

O segundo desafio é a Fé em si, revelar sua divindade interior.
A Fé é mais que um requisito é a sublime transparência do Sou.
A manifestação do Sou reflete a força interior e exterior que desnuda o que está dentro de si, a Fé.

O terceiro desafio é o Conhecimento.
Conhecer é aprender,
seguir o coração,
o seu corpo,
sua mente e seu espírito no caminho da espiritualidade e da evoluçãodo ser humano.
O conhecimento está estritamente ligado com todos os sentidos da natureza humana,
e é o que dará o impulso no movimento de suas forças.

O quarto desafio é a Vontade e está intrínseco a todos desafios.
É impossível obter sucesso se não houver vontade.
Não há base única,
nem deve ser visto com pessimismo o fato de não possuir nenhum desses atributos,
porém,
para permanecer na Senda é preciso,
no entanto,
buscar estes desafios tornando-se uma pessoa de ação.

Engana-se aquele que acha que tudo é simples.
Na realidade a simplicidade das coisas está na complexidade do que é.
Somente com predisposição de aprender e humildade poderá,
então,

seguir adiante caminhando pela Senda Mística.


João Coutinho
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