É fácil saber se um amor é o primeiro amor ou não. Se admite que possa ser o primeiro, é porque não é; o primeiro amor só pode parecer o último amor. É o único amor, o máximo amor, o irrepetível e incrível e antes morrer que ter outro amor. Não há outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo.
Nunca se percebe bem por que razão começa. Mas começa. E acaba sempre mal só porque acaba. Todos os dias parece estar mesmo a começar porque as coisas vão bem, e o coração anda alto. E todos os dias parece que vai acabar porque as coisas vão mal e o coração anda embaixo.
O primeiro amor dá demasiadas alegrias, mais do que a alma foi concebida para suportar. É por isso que a alegria dói - porque parece que vai acabar de repente. E o primeiro amor dói sempre demais, sempre muito mais do que aguenta e encaixa o peito humano, porque a todo o momento se sente que acabou de acabar de repente. O primeiro amor não deixa de parte um único bocadinho de nós. Nenhuma inteligência ou atenção se consegue guardar para observá-lo. Fica tudo ocupado. O primeiro amor ocupa tudo. É inobservável. É difícil sequer refletir sobre ele. O primeiro amor leva tudo e não deixa nada.
Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado.
É como uma criança que põe os dedos dentro de uma tomada eléctrica. É esse o choque, a surpresa «Meu Deus! Como pode ser!» do primeiro amor. Os outros amores poderão ser mais úteis, até mais bonitos, mas são como ligar eletrodomésticos à corrente. Este amor mói-nos o juízo como a Moulinex mói café. Aquele amor deixa-nos cozidos por dentro e com suores frios por fora, tal e qual num microondas. Mas o «Zing!» inicial, o tremor perigoso que se nos enfia por baixo das unhas e dá quatro mil voltas ao corpo, naquele micro-segundo de eletricidade que nos calhou, só acontece no primeiro amor.
O primeiro beijo é sempre uma confusão. Está tudo a andar à volta e não se consegue parar. A outra pessoa assalta-nos e deixa-nos tontos, isto apesar de ser tão tímida e inepta como nós. E os nomes dos nossos primeiros amores? Os nomes doem. Parecem minúsculos milagres. Cada vez que se pronunciam, rebenta um pequeno terramoto no Equador. E as mãos? Quando a mão entra na mão de quem se ama e se sente aquele exagero de volts e de pele, a única resposta sensata é o assassínio, o exílio, o suicídio. Nada fica de fora. O mundo é uma conspiração cinzenta de amores em segunda mão. Nada é puro fora daquelas mãos. O tesouro está a arder, as pessoas estão a morrer, os olhos cheios de luz estão a cegar, mas o primeiro amor é também, e sem dúvida, o primeiro amor do mundo.
O primeiro amor é aquele que não se limita a esgotar a disposição sentimental para os amores seguintes: quer esgotá-la. Depois dele, ou depois dela, os olhos e os braços e os lábios deixam de ter qualquer utilidade ou interesse. As outras pessoas - por muito bonitas e fascinantes que sejam - metem-nos nojo. Só no primeiro amor.
Não há amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, há o equivalente adulto ao primeiro amor - é o primeiro casamento; mas não é igual. O primeiro amor é uma chapada, um sacudir das raízes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e não nos explica. Eletrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as órbitas dos olhos, do impensável calor de podermos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde saltamos. Saltamos e caímos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer três ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na água ou no chão, como patos disparados de um obus, com penas a esvoaçar por toda a parte.
Há amores melhores, mas são amores cansados, amores que já levaram na cabeça, amores que sabem dizer «Alto-e-pára-o-baile», amores que já dão o desconto, amores que já têm medo de se magoarem, amores democráticos, que se discutem e debatem. E todos os amores dão maior prazer que o primeiro. O primeiro amor está para além das categorias normais da dor e do prazer. Não faz sentido sequer. Não tem nada a ver com a vida. Pertence a um mundo que só tem duas cores - o preto - preto feito de todos os tons pretos do planeta e o branco - branco feito de todas as cores do arco-íris, todas a correr umas para as outras.
Podem ficar com a ternura dos 40 e com a loucura dos 30 e com a frescura dos 20 - não outro amor como o doentio, fechado-no-quarto, o amor do armário, com uma nesga de porta que dá para o Paraíso, o amor delirante de ter sempre a boca cheia de coração e não conseguir dizer outra coisa com coisa, nem falar, nem pedir para sair, nem sequer confessar: «Adeus Mariana - desta vez é que me vou mesmo suicidar.» Podem ficar (e que remédio têm) com o savoir-faire e os fait-divers e o «quero com vista pró mar se ainda houver». Não há paz de alma, nem soalheira pachorra de cafunés com champagne, que valha a guerra do primeiro amor, a única em que toda a gente morre e ninguém fica para contar como foi.
Não há regras para gerir o primeiro amor. Se fosse possível ser gerido, ser previsto, ser agendado, ser cuidado, não seria primeiro. A única regra é: Não pensar, não resistir, não duvidar. Como acontece em todas as tragédias, o primeiro amor sofre-se principalmente por não continuar. Anos mais tarde, ainda se sonha retomá-lo, reconquistá-lo, acrescentar um último capítulo mais feliz ou mais arrumado. Mas não pode ser. O primeiro amor é o único milagre da nossa vida - e não há milagres em segunda mão. É tão separado do resto como se fosse uma primeira vida. Depois do primeiro amor, morre-se. Quando se renasce há uma ressaca. É um misto de «Livra! Ainda bem que já acabou!» e de «Mas o que é isto? Para onde é que foi?».
Os outros amores são maiores, são mais verdadeiros, respeitam mais as personalidades, são mais construtivos - são tudo aquilo que se quiser. Mas formam um conjunto entre eles. O segundo e o terceiro e o quarto, por muito diferentes, são mais parecidos. São amores que se conhecem uns aos outros, bebem copos juntos, telefonam-se, combinam ir à Baixa comprar cortinados. O primeiro amor não forma conjunto nenhum. Nem sequer entre os dois amantes - os primeiros, primeiríssimos amantes. Acabam tão separados os dois como o primeiro amor acaba separado dos demais. O amor foi a única coisa que os prendeu e o amor, como toda a gente sabe, não chega para quase nada. É preciso respeito e bláblá, compreensão mútua e muito bláblá, e até uma certa amizade bláblá. Para se fazer uma vida a dois que seja recompensadora e sobretudo bláblá, o amor não chega. Não se vive só dele. Não se come. Não se deixa mobiliar. Bláblá e enfim.
Mas é por ser insustentável e irrepetível que o primeiro amor não se esquece. Parece impossível porque foi. Não deu nada do que se quis. Não levou a parte nenhuma. O primeiro amor deveria ser o primeiro e esquecer-se, mas toda a gente sabe, durante o primeiro amor ou depois, que é sempre o último.
Afinal nem é por ser primeiro, nem é por ser amor. A força do primeiro amor vem de queimar - do incêndio incontrolável - todas aquelas ilusões e esperanças, saudades pequenas e sentimentos, que nascem em nós com uma força exagerada e excessiva. Como se queima um campo para crescer plantas nele. Se fôssemos para todos os outros amores com o coração semelhantemente alucinado e confuso, nunca mais seríamos felizes. É essa a tristeza do primeiro amor. Prepara-nos para sermos felizes, limando arestas, queimando energias, esgotando inusitadas pulsões, tornando-nos mais «inteligentes».
É por isso que o primeiro amor fica com a metade mais selvagem e inocente de nós. Seguimos caminho, para outros amores, mais suaves e civilizados, menos exigentes e mais compreensivos. Será por isso que o primeiro amor nunca é o único? Que lindo seria se fosse mesmo. Só para que não houvesse outro.
Estive me lembrando dos tipos de homens que já cruzaram meu caminho (namorados, amigos, conhecidos, parentes, maridos/namorados de amigas etc.) e decidi selecionar alguns espécimes para dividir com vocês...
* O metido a gostosão:
É o tipo de cara que, a cada vez que passa em frente a um espelho, dá uma paradinha para conferir se o bíceps e o tríceps estão grandes o suficiente... que cada vez que compra uma camiseta pede um tamanho menor para que fique justinha e destaque bem o peitoral malhado... Ai, ai... Paciência com esses...
* O tipo bagaceiro: Esse é aquele cara que, ao lhe ver, acredita piamente que você já está "no papo", lhe olha de cima a baixo, sorri só com um cantinho da boca (aaaaaargh!), levanta apenas uma sobrancelha (ele, de fato, acredita que é irresistível!) e lhe diz algo parecido com "E aí boneca? Estava me esperando?". Que noooojo!
* O narcisista:Esse é aquele que só sabe falar de si próprio, das suas conquistas, dos seus sonhos, da sua família, do seu trabalho, dos seus amigos, do quanto ele é isso e aquilo... E, o que é pior, esse tipo ainda dá a entender que você realmente é uma mulher de sorte por poder estar na companhia dele... Credo!
* O tipo malandro:Bom, esse adora levar vantagem em tudo e fica todo feliz quando a menina do supermercado se engana com o troco... Ele adora “passar a perna” nos outros e depois ainda tenta convencer você de que “o mundo é dos espertos” e de que “o que menos corre, voa”... Aaarrgh! Tipinho detestável, esse. Seu ídolo, na certa, deve ser o papagaio Zé Carioca...
* O eterno apaixonado pelas "ex": Esse, de início, você até considera bacana, simpático, gentil... Até o momento em que começa a falar da ex. Ou, pior, de todas elas. Fala, fala, fala e, a cada comentário seu, ele reage com um "Sério! Puxa! Minha ex também gostava dos filmes do Almodóvar. Que coincidência!" ou "Nossa, esse seu perfume lembra o que uma ex minha usava”... E por aí vai... Conselho: Fuja desse tipo!
* Aquele que sempre está com a razão: Conheço tipos assim... eles estão sempre, sempre, sempre, indiscutivelmente, certos, não importa sobre o que. Se você tentar argumentar com um tipo desses, no máximo, receberá um olhar de desprezo, seguido de algo como "Não diga bobagens! Eu sei o que estou falando!".Aaaarrrrrrrrrrrrghhhh! Que ódio!
* O tipo mulherengo:Esse é aquele tipo cara de pau que, mesmo estando com você ao lado, quase quebra o pescoço para olhar o traseiro da gostosa que está passando. E, em geral, quando vê que você percebeu (ele não é nem um pouco discreto), o mulherengo faz cara de indignado e diz: “Puxa vida, amor, você viu que antipática? Foi minha colega e nem cumprimentou!”... Ah! Fala sério, né?
* O metrossexual afetado: Nada contra homens que se cuidam. Acho ótimo, inclusive. O problema é o exagero... Juro que conheço pelo menos dois homens assim (e, antes que vocês digam qualquer coisa, eles não são gays!)... Eles fazem a sobrancelha, passam base nas unhas, fazem luzes no cabelo, depilam o peito, passam corretivo nas olheiras e espinhas, usam o seu hidratante corporal, escolhem o shampoo, o condicionador e o creme de barbear pelo aroma (que, obviamente, tem que ser semelhante ao do perfume) e, ao sair de casa, simplesmente tomam um segundo banho, só que de perfume. Há que se ter paciência com esses, principalmente quando você quer usar o banheiro e um deles está lá dentro, cumprindo o “ritual de beleza”...
* O piadista insuportável:Esse é aquele cara que sempre tem uma piada sem graça na ponta da língua. Você diz: “estou meio cansada... vou sentar um pouquinho” e ele, todo espalhafatoso, faz aquela cara de imbecil (que geralmente lhe é característica) e diz: “Ah! Então você gosta de sentar, é?”... Ou, pior, faz isso o tempo todo com qualquer pessoa e olha p/ você com ar de cumplicidade, esperando que você caia na gargalhada junto com ele... Socorro! Tenho horror a tipos assim...
* O Don Juan:Esse, então, se julga o último romântico do planeta... Você nunca viu o tipo pela frente e, de repente, ele lhe aborda com um “Com licença, senhorita, perdoe-me pelo incômodo, mas gostaria de lhe entregar esse humilde bilhete...”. Você, completamente atônita, abre o tal bilhetinho – que, geralmente, vem escrito em qualquer papel que o Don Juan tenha à mão (guardanapos, tickets de estacionamento, cupons fiscais etc.) – e se depara com uma poesia falando do quão bela você é... Confesso que tipos assim me dão certo medo... Acho que eles são, no fundo, um tanto quanto desequilibrados emocionalmente...
* O tipo pão-duro: Esse é aquele cara que convida você para jantar dizendo que preparará uma pizza e aparece com uma daquelas de supermercado, que custam, em média, R$ 1,99... Quando eu falo do tipo pão-duro, não me refiro a um homem econômico, mas sim àquele sovina mesmo... Por exemplo, eu tenho uma amiga, cujo namorado é tão mão-de-vaca, mas tão mão-de-vaca que, certa vez, quando fomos tomar um café os três juntos, ele sugeriu racharmos a conta ao final. Até aí tudo bem, nenhuma novidade. O que me espantou foi que, ao separarmos o dinheiro para pagar, ele se vira, olha bem sério para essa minha amiga e lhe diz: “Amor, faltou R$ 0,15 para fechar a sua parte...”. Minha nossa! Ninguém merece um desses...
* O “filhinho-da-mamãe”: Triste mesmo é ver um barbado, com quase 30 anos na cara, ligando para o trabalho da mamãe para avisar que vai ao médico porque está doente. E, mais triste ainda, é essa mãe pedir folga para acompanhar o dito cujo. Gente, juro que conheci um tipo assim!!! Esse mesmo cara, de casamento marcado, ao invés de levar a noiva, convida a mãe para ir à loja de materiais de construção escolher as aberturas da casa que estava sendo construída (juro que é verdade!!!)... E tem ainda aquele outro cara que vai com a mãe para as baladas. Ok, ok... Se fosse só isso até não seria tão absurdo. O esquisito é que, quando ficava com alguma garota na balada, ele logo apresentava para a mãe, que dizia à garota algo do tipo: “Esse meu bebê não é lindo???”. É sério, conheço um assim também... Agora, me digam: alguém merece isso???
Mas, acreditem, o pior mesmo é quando o espécime em questão reúne mais de uma dessas características... Aí a coisa fica terrível...
Eu, por exemplo, conheço um tipo que é, ao mesmo tempo, piadista, metrossexual, metido agostosão, malandro e, claro, está sempre com a razão.
E o tipo ainda por cima conseguiu se casar!
E depois há quem diga que milagres não acontecem...