segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Quem quer ficar, fica!


          Meu bem, senta aqui, vamos conversar...Você ainda não cansou de esperar por alguém que claramente não lhe quer?
Eu sei, eu sei... a pessoa é bacana, atenciosa e apenas está passando por um momento complicado, em que está um pouco confusa em relação aos próprios sentimentos... Certo?
Não! Errado!
Quando alguém diz que no momento não está em uma fase de namorar, que não quer compromisso, acredite, é com você que essa pessoa não quer se comprometer.
Tire a venda cor-de-rosa dos olhos um pouquinho, e reflita se por acaso essa pessoa que você insiste em não abrir mão não está apenas passando o tempo com você enquanto não encontra quem ela realmente quer.
Sim, eu sei que dói. E dói muito. Mas você só conseguirá seguir em frente quando compreender (e aceitar) o fato de que se essa pessoa realmente gostasse de você, estaria ao seu lado, teria orgulho em segurar sua mão em público e em apresentar você até para o papagaio da vizinha. Afinal de contas, quem gosta cuida, se preocupa, quer estar junto, roubar sorrisos, programar pequenas coisas e, principalmente, faz questão de inserir o outro em sua vida.
Então, por favor, pare de se enganar e encare de uma vez por todas o fato de que você pode até ser especial, mas não é (e possivelmente nunca será) especial o bastante para que essa pessoa que você tanto espera queira estar ao seu lado.
Pare de alimentar expectativas e desperdiçar energia pensando em alguém que não está nem aí para você. As pessoas dão sinais o tempo todo. Aprenda a lê-los e você saberá quem realmente quer estar ao seu lado, sem frescuras, sem desculpas, sem mimimi. Afinal de contas, o outro tem o direito de não querer você. E está tudo bem, não há nada errado nisso. 
Aceite, agradeça e siga em frente. 





quinta-feira, 16 de agosto de 2018

"Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. 
Ou eu mergulho até encontrar o reino submerso de Atlântida, 
ou fico à margem, espiando de fora."
Martha Medeiros

domingo, 11 de janeiro de 2015

Tentação

"Posso resistir a tudo, menos à tentação."
                                                     Oscar Wilde

domingo, 10 de março de 2013

A impermanência da vida...


A vida (felizmente!) é composta de ciclos.

Curiosamente, porém, apesar de sabermos perfeitamente bem disso, estamos sempre tentando (em vão) atingir a suposta permanência.

Desejamos vorazmente que as coisas permaneçam, que os bons momentos permaneçam e - utopia das utopias - que as pessoas permaneçam.

Raras são as pessoas que permanecem.

A maioria segue seu rumo, esbarrando em tantas outras pessoas, desbravando novos caminhos...

O filósofo grego Heráclito, em meados do século V a.C., já dizia que "tudo flui, tudo se transforma continuamente". Não há nada fixo, nada estático. Estamos em constante devir, em constante mutação.

Ora, soltemos, então, as amarras que nos prendem à ilusória sensação de estabilidade e permanência.

Deixemos livres aqueles que, por ventura, tenham cruzado nosso caminho, para que possam partir rumo ao novo, rumo ao desconhecido.

Abracemos, pois, a vida com toda sua inconstância e instabilidade.

Este texto, de minha autoria, foi originalmente publicado no blog "De repente, 30", onde escrevo aos domingos.

terça-feira, 5 de março de 2013

"Houve um tempo em que eu acreditei que ter boa memória era, de fato, uma grande benção.
Mas a vida acabou por me mostrar que para que possamos seguir em frente às vezes é preciso esquecer..."

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Máscara da Alegria

Muita gente se vestindo de alegria
Vai fingindo todo dia
Que a tristeza já passou
(Paulinho da Viola)


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Mergulho No Vazio...

A Menina tinha momentos de sentidas ausências.

De profundo vazio.

De incólume tristeza.

Os olhos perdiam-se em um ponto qualquer, entregues a alguma 

misteriosa lembrança.

Ninguém ousaria importuná-la nesse momento.

Nada poderia ser feito por ela.

Seria necessário aguardar que tal momento, de profunda introspecção, se esvaísse.

Até o instante em que um suspiro profundo, saído das entranhas da Menina,

Arrancasse-a das profundezas de sua tristeza.



Este post foi originalmente publicado no blog "De repente, 30...", no qual escrevo aos domingos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Silêncio e Vazio


Existem dias em que a tristeza parece que vai tomar conta de nós...
Hoje, dia 11/02 foi um desses dias. 
Minha mãezinha faleceu e eu estava ao seu lado, segurando sua mão.
(Ela estava hospitalizada desde o dia 31/12. Tinha câncer no cérebro.)
Curiosamente, instantes antes de seu falecimento, eu estava lendo o seguinte poema de Mário Quintana:

Silêncio
"O mundo, às vezes, fica-me tão insignificativo
Como um filme que houvesse perdido de repente o som
Vejo homens, mulheres: peixes abrindo e fechando a boca (num aquário)
Ou multidões: macacos pula-pulando nas arquibancadas dos estádios...
Mas o mais triste é essa tristeza toda colorida dos carnavais
Como a maquilagem das velhas prostitutas fazendo trottoir
Às vezes eu penso que já fui um dia um rei, imóvel no seu palanque,
Obrigado a ficar olhando
Intermináveis desfiles, torneios, procissões, tudo isso...
Oh! Decididamente o meu reino não é deste mundo!
Nem do outro..."

Ao término da leitura, imediatamente me identifiquei com o poema. Em pleno carnaval, com toda a esfuziante alegria colorida, eu estava olhando minha mãe se degenerar em vida... 
Mal eu havia começado a digitar o poema no Facebook, levantei os olhos e percebi que o momento de sua partida estava chegando. 
Imediatamente pulei de onde estava e, juntamente com meu esposo, seguramos sua mão até que partisse.
Foi um dos momentos mais tristes da minha vida...

Nunca um poema conseguiu expressar de maneira tão perfeita meu sentimento.

O silêncio e o vazio tomaram conta de tudo...


Vá em paz mãezinha querida!
Como disse o professor Carlos Araújo, um querido amigo meu, "Nós só morremos quando somos simplesmente esquecidos."
Sendo assim, você viverá eternamente, mãezinha querida! Jamais será esquecida! Te amarei eternamente!


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Para onde vão nossos Animais quando Morrem...

Hoje, dia 08/01/2013, minha gatinha linda Cindy, faleceu. :'(
Foi desesperador. Senti como se uma pequena parte de mim também tivesse ido embora.
E foi então que minha querida amiga Peônia, do blog Epiphaneia, me presenteou com esse texto lindo, que me fez chorar e ficar feliz ao mesmo tempo.
Obrigada Pê!

Abaixo segue o texto lindo que a Pê me mandou e também uma foto da minha princesinha Cindy.

Rainbow Bridge 

- A Ponte do Arco-Íris -


Neste lado do Céu há um lugar chamado Rainbow Bridge.
Quando animais, que foram muito próximos de alguém, morrem, esse animal vai para Rainbow Bridge.
Há campos e colinas para que todos os nossos amigos especiais, possam correr e brincar. Há comida farta, água e sol. Nossos amigos estão aquecidos e confortáveis. Todos os animais que estiveram velhos e doentes, têm sua saúde e vigor restaurados; aqueles que foram machucados ou mutilados, estão inteiros e fortes novamente, exatamente como nos lembramos deles, em nossos sonhos sobre os dias que se foram.

Os animais estão felizes e contentes, exceto por uma pequena coisa. Cada um deles sente saudade de alguém muito especial para eles, que teve que ser deixado para trás. Todos correm e brincam juntos, mas chega o dia em que um deles subitamente pára e olha ao longe. Seus olhos brilhantes estão fixos; seu corpo treme de ansiedade. Subitamente ele começa a correr, se afastando do grupo, voando sobre a grama verde, suas pernas o levam cada vez mais rápido. Você foi reconhecido, e quando você e seu amigo especial finalmente se encontram, vocês se unem num alegre reencontro, nunca se afastarão um do outro de novo. Beijos felizes cobrem sua face; novamente suas mãos acariciam aquela amada cabeça, e você olha de novo dentro daqueles olhos confiantes, há tanto tempo longe de sua vida, mas nunca longe do seu coração.
Então, vocês atravessam a ponte do Arco-íris juntos...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

...and people cry...

*As pessoas choram não porque são fracas e sim porque tem sido fortes por tempo demais...


Hoje me sinto exatamente assim...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Olá pessoas queridas!
Como estão?
Gostaria de explicar a vocês o motivo do meu sumiço aqui do blog...
Ocorre que, nos últimos tempos, minha vida anda simplesmente uma LOUCURA TOTAL!
Só para vocês terem uma ideia, passei os meses de dezembro, janeiro e fevereiro enlouquecida terminando minha dissertação de mestrado para defendê-la em março. 
Em abril descobri que minha mãezinha está com câncer no cérebro (e ela já havia tido câncer no útero e recém havia curado um câncer no pulmão).   ):
Em maio, dia 26, casei, após 7 anos e 8 meses junto com meu amor.
E agora, em junho, quando eu recém havia voltado de Lua de Mel recebi a notícia de que minha mãe estava hospitalizada com infecção generalizada.

Pois bem, meus queridos, eis minha justificativa para o sumiço.

Mas aos pouquinhos estou voltando. ;)


E enquanto eu não volto à ativa, deixo uma fotinho do casório para que vocês possam dar uma espiadinha:



Bjs!
Déia

PS: Este mesmo post também está em meu outro blog, o Feminices e Cia.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dinda coruja e feliz

Sim, eu sei, andei sumida. Desaparecida, na verdade... A “Síndrome da folha em branco” me alcançou e a inspiração para escrever desapareceu.
Mas eis que nesta quarta-feira, dia 21/03, aconteceu algo que simplesmente não posso deixar de compartilhar.
Uma das minhas três turmas de 3º ano do Ensino Médio fez uma surpresa linda para me convidar para ser paraninfa deles na sua formatura (detalhe: estamos em março e a formatura é somente em dezembro!).
Entrei na sala de aula e estava tudo escuro. Quando acendi as luzes eles estavam enfileirados uns ao lado dos outros, cada um segurando uma folha de papel com uma letra, onde se lia: “Andréia, aceita ser nossa dinda?” e outra folha com um coração escrito “Nós <3 você”. Eles também enfeitaram a sala com balões coloridos, e escreveram no quadro “Nós te amamos sua linda!”.
Além disso, ainda me presentearam com uma cesta enooooorme com 30 rosas (30 alunos = uma rosa para cada aluno) e um cartão lindíssimo! 



Óbvio que chorei né? Aliás, não só chorei como comecei a transpirar, a tremer e a gaguejar. Fiquei absolutamente feliz com tamanha demonstração de afeto e carinho!
Sei que muitos dirão: “Minha nossa! Mas como é exagerada! Foi só um convite p/ ser paraninfa de um 3º ano, e daí?”.
Bem, para aqueles que pensam assim, é preciso que eu esclareça que sou absolutamente apaixonada pela minha profissão e, principalmente, pelos alunos que fazem (e fizeram) parte da minha vida. Cada um deles é como se fosse um pedacinho de mim. Cada olhar carinhoso, cada sorriso, cada abraço que recebo deles é como se eu recebesse uma dose extra de felicidade. E eu realmente me importo com eles, com seus sentimentos. Com seus problemas, com suas conquistas, com suas alegrias. Sempre acreditei que demonstrações de amor e carinho são absolutamente essenciais e fazem bem tanto a quem as recebe quanto a quem as oferece. Por isso fiquei tão emocionada, feliz e lisonjeada com o convite, pois foi uma retribuição do carinho e amor que sempre lhes dedico.
Este post foi originalmente publicado no blog "De repente, 30...", no qual escrevo aos domingos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Em breve...

Olá meus queridos!

Como vcs estão?

Venho até aqui hoje para informar a todos os meus amigos que logo logo o blog voltará à ativa.

Sinto muita saudades desse meu cantinho e também sinto saudades dos amigos que, diariamente, me brindavam com sua presença e carinho.

Em breve retornarei, também, as visitas nos blogs amigos.

É apenas questão de dias agora. Minha dissertação de mestrado já está quase pronta e então voltarei a ter tempo... Além disso, minha mãe, graças a Deus, já está melhor, e isso tirou o peso enorme que eu estava sentindo.
Agradeço muito todo o apoio que recebi!

Vocês prometem me aguardar? ;)

Um beijo enorme em cada um de vcs que sempre passa aqui deixar seu carinho!

Déia

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Triste retrato da nossa sociedade...

 
 Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
 'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
 enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado
 sob esse critério, vira mera sombra social.
  Plínio Delphino, Diário de São Paulo.



 O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
 oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
 constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
 invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
 comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
 percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
 social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
 Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
 R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
 de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
 significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
 pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não
 como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP
 passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
 esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
 ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
 diz.
 No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
 garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha
 caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
 classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
 se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo
 pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
 serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
 grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
 o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
 claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de
 refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem
 barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
 parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
 Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar
 comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
 Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí
 eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
 andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na
 biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
 em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse
 trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O
 meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
 cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
 não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
 Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a
 situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se
 aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
 por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse
 passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
 Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
 inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito
 que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses
 homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
 deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
 Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são
 tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
 nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

Que isso possa nos servir de reflexão para que analisemos como temos tratado as pessoas que nos cercam...

Abraços a todos,
Déia

sábado, 31 de dezembro de 2011

Tempo

 

 

Tempo

Carlos Drummond de Andrade

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente…
…Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!!!

Desejo a todos os amigos que passeiam por aqui um 2012 repleto de alegrias, de amigos verdadeiros, de paz, amor, harmonia, saúde e sucesso!!!
Sei que estou ausente, tanto aqui do meu blog, quanto dos blogs amigos, porém peço que, se possível, me aguardem, pois logo logo estarei de volta!
Um abraço apertado a todos!
Deia

sábado, 24 de setembro de 2011

O gosto das manhãs


Há pessoas que precisam de certo tempo, assim que acordam, para recuperar o prazer de se sentirem vivas. Espreguiçam-se na cama com fastio, deixando ao relógio a tarefa de eliminar os resíduos de mau humor que a noite deixou neles. Estão em dissonância até com sua respiração, precisando resgatar mentalmente alguma situação agradável para que o ato de levantarem não se transforme numa tortura. Nunca senti isso. E a clareza aumenta nesses dias de primavera, quando, ao abrir a janela, recebo uma lufada de perfume vindo dos pés de laranjeira e das glicínias. Fui abençoado pelos deuses com um humor fácil, ligeiro, assim que me sinto desperto. Só em raras situações, quando um grave problema ou dor física tomam conta de mim, não me considero disposto a experimentar o gosto pelas manhãs.

Tenho o privilégio de trabalhar em casa nas primeiras horas do dia. Durmo cedo e raramente acordo depois das sete horas. No máximo sete e meia, nos finais de semana. Com isso ganho disposição e tempo para fazer tudo o que quero e preciso. Sou um ser de hábitos, que acredita na rotina como um católico acredita no poder da confissão. Não vejo problema algum em repetir situações que me deixam feliz. Por mim, a vida inteira poderia se passar dentro de um pequeno espaço onde coubesse tudo que amo. Não estou disponível para o distante, o exótico. Gosto dos previsíveis abraços, das previsíveis palavras que recebo de meus amigos, dos previsíveis rostos que alimentam minha afetividade. Restrinjo meu mundo para que ele seja maior, para que eu possa explorá-lo em toda a sua extensão. Talvez um dos males contemporâneos seja o de nos cansarmos fácil demais de tudo. Só nos interessam as novidades. Que já nascem velhas.

Sinto, também, disposição para acolher o melhor, treinando meus olhos para as delicadezas. Faço um exame diário, na tentativa de encontrar as fissuras, os arranhões que me impediram de ficar bem em determinado momento. Não quero passar aqui a imagem de um ser que se alça acima dos demais. Essa percepção é resultado de um grau maior de atenção, apenas isso. De um constante observar-se, exercício que resulta na descoberta de falhas de comportamento que podem ser evitadas. Essa ração diária de lucidez é fruto das meditações que faço, da tentativa de não reagir à violência com violência. Seja ela de ordem física ou psíquica. Sinto-me mal toda vez que entro em conflito com alguém. Tenho horror a qualquer embate onde a agressividade seja a nota que conduz a discussão. Acredito mais em respostas do que em reações.

Assim, agrada-me cada vez mais me saber vivo em todas as horas que se derramam sobre mim. Risco, sempre que possível, a palavra planejamento da minha mente. Que tudo se faça ao correr das circunstâncias. Procuro me livrar do interesse pelas coisas materiais, ganhando assim largos espaços para a leitura, os passeios, o cinema, a busca pelo outro. Viver é rápido e não admite amadorismo. Sei que cometo muitos erros, mas não quero que eles definam minha fisionomia. E lembro sempre da frase que minha terapeuta me disse: “Você prefere ter razão ou ser feliz?” Esforço-me para abdicar da primeira, mesmo que o ego se contorça, raivoso, dentro de mim.

Nem sempre estou imune à inveja, mas não jogo xadrez com ela. Não me interessa desafiá-la. Apenas a encaro de frente, como um inimigo mais fraco do que eu. Já vi pessoas próximas sucumbirem, mesmo sendo ricas interiormente, porque acreditavam que outros não mereciam o que tinham. Ficavam paralisados diante de um falso fulgor alheio. Não percebiam que estavam sentadas sobre uma mina de ouro. Invejar é uma maneira de vestir a vaidade de modéstia.

Acordar nesta primavera e mastigar o gosto das manhãs. Saber, com humildade e reverência, que um dia a mais é um dia a menos, brincando com os minutos como uma criança faz com uma bala em sua boca. Ser essa criança, nascendo quantas vezes for preciso. Espreguiçar-se entre os lençóis embebidos de nossos corpos. Lá fora, o sol ou a chuva nos esperam. Depois, o fim. Mas bem depois, bem depois. 
Texto de Gilmar Marcílio
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