quarta-feira, 28 de março de 2012
Verdade...
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Andréia B. Borba
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quarta-feira, março 28, 2012
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Dinda coruja e feliz
Sim, eu sei, andei sumida. Desaparecida, na verdade... A “Síndrome da folha em branco” me alcançou e a inspiração para escrever desapareceu.
Mas eis que nesta quarta-feira, dia 21/03, aconteceu algo que simplesmente não posso deixar de compartilhar.
Uma das minhas três turmas de 3º ano do Ensino Médio fez uma surpresa linda para me convidar para ser paraninfa deles na sua formatura (detalhe: estamos em março e a formatura é somente em dezembro!).
Entrei na sala de aula e estava tudo escuro. Quando acendi as luzes eles estavam enfileirados uns ao lado dos outros, cada um segurando uma folha de papel com uma letra, onde se lia: “Andréia, aceita ser nossa dinda?” e outra folha com um coração escrito “Nós <3 você”. Eles também enfeitaram a sala com balões coloridos, e escreveram no quadro “Nós te amamos sua linda!”.
Além disso, ainda me presentearam com uma cesta enooooorme com 30 rosas (30 alunos = uma rosa para cada aluno) e um cartão lindíssimo!
Mas eis que nesta quarta-feira, dia 21/03, aconteceu algo que simplesmente não posso deixar de compartilhar.
Uma das minhas três turmas de 3º ano do Ensino Médio fez uma surpresa linda para me convidar para ser paraninfa deles na sua formatura (detalhe: estamos em março e a formatura é somente em dezembro!).
Entrei na sala de aula e estava tudo escuro. Quando acendi as luzes eles estavam enfileirados uns ao lado dos outros, cada um segurando uma folha de papel com uma letra, onde se lia: “Andréia, aceita ser nossa dinda?” e outra folha com um coração escrito “Nós <3 você”. Eles também enfeitaram a sala com balões coloridos, e escreveram no quadro “Nós te amamos sua linda!”.
Além disso, ainda me presentearam com uma cesta enooooorme com 30 rosas (30 alunos = uma rosa para cada aluno) e um cartão lindíssimo!
Óbvio
que chorei né? Aliás, não só chorei como comecei a transpirar, a tremer
e a gaguejar. Fiquei absolutamente feliz com tamanha demonstração de
afeto e carinho!
Sei que muitos dirão: “Minha nossa! Mas como é exagerada! Foi só um convite p/ ser paraninfa de um 3º ano, e daí?”.
Bem, para aqueles que pensam assim, é preciso que eu esclareça que sou absolutamente apaixonada pela minha profissão e, principalmente, pelos alunos que fazem (e fizeram) parte da minha vida. Cada um deles é como se fosse um pedacinho de mim. Cada olhar carinhoso, cada sorriso, cada abraço que recebo deles é como se eu recebesse uma dose extra de felicidade. E eu realmente me importo com eles, com seus sentimentos. Com seus problemas, com suas conquistas, com suas alegrias. Sempre acreditei que demonstrações de amor e carinho são absolutamente essenciais e fazem bem tanto a quem as recebe quanto a quem as oferece. Por isso fiquei tão emocionada, feliz e lisonjeada com o convite, pois foi uma retribuição do carinho e amor que sempre lhes dedico.
Sei que muitos dirão: “Minha nossa! Mas como é exagerada! Foi só um convite p/ ser paraninfa de um 3º ano, e daí?”.
Bem, para aqueles que pensam assim, é preciso que eu esclareça que sou absolutamente apaixonada pela minha profissão e, principalmente, pelos alunos que fazem (e fizeram) parte da minha vida. Cada um deles é como se fosse um pedacinho de mim. Cada olhar carinhoso, cada sorriso, cada abraço que recebo deles é como se eu recebesse uma dose extra de felicidade. E eu realmente me importo com eles, com seus sentimentos. Com seus problemas, com suas conquistas, com suas alegrias. Sempre acreditei que demonstrações de amor e carinho são absolutamente essenciais e fazem bem tanto a quem as recebe quanto a quem as oferece. Por isso fiquei tão emocionada, feliz e lisonjeada com o convite, pois foi uma retribuição do carinho e amor que sempre lhes dedico.
Este post foi originalmente publicado no blog "De repente, 30...", no qual escrevo aos domingos.
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Andréia B. Borba
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segunda-feira, março 26, 2012
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segunda-feira, 19 de março de 2012
The Beatles - In My Life (live)
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Andréia B. Borba
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segunda-feira, março 19, 2012
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Em breve...
Olá meus queridos!Como vcs estão?
Venho até aqui hoje para informar a todos os meus amigos que logo logo o blog voltará à ativa.
Sinto muita saudades desse meu cantinho e também sinto saudades dos amigos que, diariamente, me brindavam com sua presença e carinho.
Em breve retornarei, também, as visitas nos blogs amigos.
É apenas questão de dias agora. Minha dissertação de mestrado já está quase pronta e então voltarei a ter tempo... Além disso, minha mãe, graças a Deus, já está melhor, e isso tirou o peso enorme que eu estava sentindo.
Agradeço muito todo o apoio que recebi!
Vocês prometem me aguardar? ;)
Um beijo enorme em cada um de vcs que sempre passa aqui deixar seu carinho!
Déia
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Andréia B. Borba
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quarta-feira, fevereiro 15, 2012
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'
Triste retrato da nossa sociedade...
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado
sob esse critério, vira mera sombra social.
Plínio Delphino, Diário de São Paulo.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
pesquisador.
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não
como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP
passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha
caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo
pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de
refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem
barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar
comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí
eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na
biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse
trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O
meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a
situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se
aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse
passando por um poste, uma árvore, um orelhão.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito
que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses
homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são
tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.
Que isso possa nos servir de reflexão para que analisemos como temos tratado as pessoas que nos cercam...
Abraços a todos,
Déia
Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado
sob esse critério, vira mera sombra social.
Plínio Delphino, Diário de São Paulo.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
pesquisador.
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não
como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP
passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha
caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo
pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de
refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem
barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar
comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí
eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na
biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse
trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O
meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a
situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se
aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse
passando por um poste, uma árvore, um orelhão.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito
que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses
homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são
tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.
Que isso possa nos servir de reflexão para que analisemos como temos tratado as pessoas que nos cercam...
Abraços a todos,
Déia
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Andréia B. Borba
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sábado, 31 de dezembro de 2011
Tempo
Tempo
Carlos Drummond de Andrade
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente…
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente…
…Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente…
Mas nada seria suficiente…
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!!!
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!!!
Desejo a todos os amigos que passeiam por aqui um 2012 repleto de alegrias, de amigos verdadeiros, de paz, amor, harmonia, saúde e sucesso!!!
Sei que estou ausente, tanto aqui do meu blog, quanto dos blogs amigos, porém peço que, se possível, me aguardem, pois logo logo estarei de volta!
Um abraço apertado a todos!
Deia
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Andréia B. Borba
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sábado, dezembro 31, 2011
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sábado, 24 de setembro de 2011
O gosto das manhãs
Há
pessoas que precisam de certo tempo, assim que acordam, para recuperar o
prazer de se sentirem vivas. Espreguiçam-se na cama com fastio,
deixando ao relógio a tarefa de eliminar os resíduos de mau humor que a
noite deixou neles. Estão em dissonância até com sua respiração,
precisando resgatar mentalmente alguma situação agradável para que o ato
de levantarem não se transforme numa tortura. Nunca senti isso. E a
clareza aumenta nesses dias de primavera, quando, ao abrir a janela,
recebo uma lufada de perfume vindo dos pés de laranjeira e das
glicínias. Fui abençoado pelos deuses com um humor fácil, ligeiro, assim
que me sinto desperto. Só em raras situações, quando um grave problema
ou dor física tomam conta de mim, não me considero disposto a
experimentar o gosto pelas manhãs.
Tenho o privilégio de trabalhar em casa nas primeiras horas do dia. Durmo cedo e raramente acordo depois das sete horas. No máximo sete e meia, nos finais de semana. Com isso ganho disposição e tempo para fazer tudo o que quero e preciso. Sou um ser de hábitos, que acredita na rotina como um católico acredita no poder da confissão. Não vejo problema algum em repetir situações que me deixam feliz. Por mim, a vida inteira poderia se passar dentro de um pequeno espaço onde coubesse tudo que amo. Não estou disponível para o distante, o exótico. Gosto dos previsíveis abraços, das previsíveis palavras que recebo de meus amigos, dos previsíveis rostos que alimentam minha afetividade. Restrinjo meu mundo para que ele seja maior, para que eu possa explorá-lo em toda a sua extensão. Talvez um dos males contemporâneos seja o de nos cansarmos fácil demais de tudo. Só nos interessam as novidades. Que já nascem velhas.
Sinto, também, disposição para acolher o melhor, treinando meus olhos para as delicadezas. Faço um exame diário, na tentativa de encontrar as fissuras, os arranhões que me impediram de ficar bem em determinado momento. Não quero passar aqui a imagem de um ser que se alça acima dos demais. Essa percepção é resultado de um grau maior de atenção, apenas isso. De um constante observar-se, exercício que resulta na descoberta de falhas de comportamento que podem ser evitadas. Essa ração diária de lucidez é fruto das meditações que faço, da tentativa de não reagir à violência com violência. Seja ela de ordem física ou psíquica. Sinto-me mal toda vez que entro em conflito com alguém. Tenho horror a qualquer embate onde a agressividade seja a nota que conduz a discussão. Acredito mais em respostas do que em reações.
Assim, agrada-me cada vez mais me saber vivo em todas as horas que se derramam sobre mim. Risco, sempre que possível, a palavra planejamento da minha mente. Que tudo se faça ao correr das circunstâncias. Procuro me livrar do interesse pelas coisas materiais, ganhando assim largos espaços para a leitura, os passeios, o cinema, a busca pelo outro. Viver é rápido e não admite amadorismo. Sei que cometo muitos erros, mas não quero que eles definam minha fisionomia. E lembro sempre da frase que minha terapeuta me disse: “Você prefere ter razão ou ser feliz?” Esforço-me para abdicar da primeira, mesmo que o ego se contorça, raivoso, dentro de mim.
Nem sempre estou imune à inveja, mas não jogo xadrez com ela. Não me interessa desafiá-la. Apenas a encaro de frente, como um inimigo mais fraco do que eu. Já vi pessoas próximas sucumbirem, mesmo sendo ricas interiormente, porque acreditavam que outros não mereciam o que tinham. Ficavam paralisados diante de um falso fulgor alheio. Não percebiam que estavam sentadas sobre uma mina de ouro. Invejar é uma maneira de vestir a vaidade de modéstia.
Acordar nesta primavera e mastigar o gosto das manhãs. Saber, com humildade e reverência, que um dia a mais é um dia a menos, brincando com os minutos como uma criança faz com uma bala em sua boca. Ser essa criança, nascendo quantas vezes for preciso. Espreguiçar-se entre os lençóis embebidos de nossos corpos. Lá fora, o sol ou a chuva nos esperam. Depois, o fim. Mas bem depois, bem depois.
Tenho o privilégio de trabalhar em casa nas primeiras horas do dia. Durmo cedo e raramente acordo depois das sete horas. No máximo sete e meia, nos finais de semana. Com isso ganho disposição e tempo para fazer tudo o que quero e preciso. Sou um ser de hábitos, que acredita na rotina como um católico acredita no poder da confissão. Não vejo problema algum em repetir situações que me deixam feliz. Por mim, a vida inteira poderia se passar dentro de um pequeno espaço onde coubesse tudo que amo. Não estou disponível para o distante, o exótico. Gosto dos previsíveis abraços, das previsíveis palavras que recebo de meus amigos, dos previsíveis rostos que alimentam minha afetividade. Restrinjo meu mundo para que ele seja maior, para que eu possa explorá-lo em toda a sua extensão. Talvez um dos males contemporâneos seja o de nos cansarmos fácil demais de tudo. Só nos interessam as novidades. Que já nascem velhas.
Sinto, também, disposição para acolher o melhor, treinando meus olhos para as delicadezas. Faço um exame diário, na tentativa de encontrar as fissuras, os arranhões que me impediram de ficar bem em determinado momento. Não quero passar aqui a imagem de um ser que se alça acima dos demais. Essa percepção é resultado de um grau maior de atenção, apenas isso. De um constante observar-se, exercício que resulta na descoberta de falhas de comportamento que podem ser evitadas. Essa ração diária de lucidez é fruto das meditações que faço, da tentativa de não reagir à violência com violência. Seja ela de ordem física ou psíquica. Sinto-me mal toda vez que entro em conflito com alguém. Tenho horror a qualquer embate onde a agressividade seja a nota que conduz a discussão. Acredito mais em respostas do que em reações.
Assim, agrada-me cada vez mais me saber vivo em todas as horas que se derramam sobre mim. Risco, sempre que possível, a palavra planejamento da minha mente. Que tudo se faça ao correr das circunstâncias. Procuro me livrar do interesse pelas coisas materiais, ganhando assim largos espaços para a leitura, os passeios, o cinema, a busca pelo outro. Viver é rápido e não admite amadorismo. Sei que cometo muitos erros, mas não quero que eles definam minha fisionomia. E lembro sempre da frase que minha terapeuta me disse: “Você prefere ter razão ou ser feliz?” Esforço-me para abdicar da primeira, mesmo que o ego se contorça, raivoso, dentro de mim.
Nem sempre estou imune à inveja, mas não jogo xadrez com ela. Não me interessa desafiá-la. Apenas a encaro de frente, como um inimigo mais fraco do que eu. Já vi pessoas próximas sucumbirem, mesmo sendo ricas interiormente, porque acreditavam que outros não mereciam o que tinham. Ficavam paralisados diante de um falso fulgor alheio. Não percebiam que estavam sentadas sobre uma mina de ouro. Invejar é uma maneira de vestir a vaidade de modéstia.
Acordar nesta primavera e mastigar o gosto das manhãs. Saber, com humildade e reverência, que um dia a mais é um dia a menos, brincando com os minutos como uma criança faz com uma bala em sua boca. Ser essa criança, nascendo quantas vezes for preciso. Espreguiçar-se entre os lençóis embebidos de nossos corpos. Lá fora, o sol ou a chuva nos esperam. Depois, o fim. Mas bem depois, bem depois.
Texto de Gilmar Marcílio
Fonte: Jornal Pioneiro
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Andréia B. Borba
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