quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Proust
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Andréia B. Borba
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quinta-feira, dezembro 20, 2007
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Veríssimo again...

O Amor...
Crônica de um casamento no interior
Crônica de um casamento no interior
Dizem que é verídica... isso aconteceu no RS (na cidade de Amaral Ferrador).
Conheceram-se no casamento do primo Tavinho. Apaixonaram- se e, 4 meses depois, resolveram casar. Duzentas pessoas compareceram à pequena igreja. O padre, visivelmente cansado da viagem, e com a batina amassada começou o sermão:
"A data de hoje é muito importante... duas pessoas que se amam e se respeitam vão unir-se aos olhos de Deus ... assim como o respeito e o companheirismo, o sexo também é fundamental para uma aliança duradoura".
Os convidados se entreolharam em silêncio, pensando que ia ser só uma menção sob a ótica da procriação.
"O sexo bem feito pode segurar o homem em casa e garantir também a fidelidade da mulher..."
A mãe da noiva aperta forte a mão do marido.
"Marcelo, você deve respeitar a vontade da Tatiana quando ela não quiser ter relações... mas isso não deve ser motivo para desgastes... o que eu sempre recomendo, nessas horas, para meus fiéis, é o prazer solitário, a masturbação... que dá maiores resultados quando se passa um creminho na face interna da mão".
Os convidados reprimem o riso. A mãe da noiva começa a suar dentro do vestido mostarda alugado. O pai ameaça interferir, mas se coloca no seu lugar de cordeiro de Deus e relaxa.
"Tatiana, você não deve se conformar só com a posição "papai e mamãe". Ser ativa, no matrimônio, também é muito importante. Quando seu marido chegar cansado do futebol, por exemplo, você deve ficar por cima dele. Essa posição, além de dar uma folga para o esposo, também é excelente para que a mulher atinja o orgasmo, já que o contato do clitóris com a pélvis do marido é mais intenso. Se você, Marcelo, tiver um pênis muito avantajado, e que Deus o conserve assim, é conveniente que vocês escolham fazer amor de lado. Assim, você evita machucar a sua companheira, sem perder o prazer".
Os convidados deixaram o riso transbordar como água num dique perfurado.Algumas mães, horrorizadas, tampam os ouvidos dos filhos. A essa altura,a mãe da noiva começa a se abanar com as folhas da decoração do altar. O pai olha o relógio na esperança do sermão estar chegando ao fim. Mas o Padre, com a maior naturalidade do mundo, continua:
"O coito anal deve ser praticado de vez em quando para não estagnar a relação. Se o seu orifício anal for muito apertado, Tatiana, você poderá usar o lubrificante íntimo Molhadinha e Discreta da Smart & Helmet ou o famoso KY Gel da Jonhson & Jonhson que são incolores e não tem cheiro...você também pode encontrar, em sexs shops, alguns lubrificantes de sabores extravagantes como, por exemplo,Piña Colada..."
Alguns convidados sentam para rir. Outros, começam a ficar com tesão e loucos para enfiar a mão por debaixo dos vestidos das mulheres.
O padre pega o copo de vinho e, dizendo umas palavras em latim, oferece ao casal.
"Quando a noiva estiver menstruada ela deverá avisar o marido antes da relação. Apesar das chances de engravidar serem bem menores, alguns cônjuges não gostam de fazer amor nesses dias".
A mãe da noiva já começa a apresentar sinais evidentes de tontura e o pai, de taquicardia.
Enquanto isso, o padre abençoa a hóstia e a coloca na boca dos noivos, e continua o seu discurso:
"O sexo oral também é muito importante... tanto para o homem quanto para a mulher... por isso é fundamental que o casal mantenha os seus órgãos sexuais sempre limpinhos e saudáveis. Muitas mulheres, só conseguem atingir o orgasmo através do sexo oral.... e, a maioria dos homens, não vive sem um
bom chupeteco".
bom chupeteco".
A mãe da noiva faz que vai desmaiar. Os padrinhos também se controlam e, junto com os convidados, começam a rir, enquanto o fotógrafo japonês, de terno listrado, dispara um clique atrás do outro.
Finalmente, o Padre abençoa o casal, introduzindo, em seus dedos, as alianças.
"Se a tentação for muito grande, a infidelidade até será permitida perante o Senhor... mas nunca sem camisinha ... Aproveito para lembrar que as camisinhas Loló, Hot, Red and Wet e Fuck me Baby foram as únicas que passaram nos testes de qualidade do Inmetro e do Ministério da Saúde. Os convidados podem sentar-se..."
Neste instante, um tio da noiva não resistiu e interveio ferozmente:
- Escuta aqui ô seu padre, que diabo de sermão é este? Isto mais parece um manual de sacanagem. Dê por encerrada esta cerimônia imediatamente!!! Pelo jeito tu também deve ser um daqueles padres pedófilos. Cai fora, seu depravado!! E mais, o nome da minha sobrinha não é Tatiana e do noivo não é Marcelo.
Silêncio profundo no altar e no templo...
O "padre", agora com um olhar de surpresa, desculpa-se.
"Olha aí gente, não levem a mal não, eu também não sou padre, sou ator,fui contratado por amigos dos noivos pra fazer esta brincadeira, mas acho que errei de casamento!! Mas se serve de consolo, lhes asseguro que essas dicas servem muito bem para todos que moram neste cú de mundo. Fui!!!"
Dizem que a cidade de Amaral Ferrador nunca mais foi a mesma...
(Luis Fernando Veríssimo)
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Oração dos Estressados

por Luis Fernando Veríssimo
Senhor, dê-me serenidade para aceitar
As coisas que não posso mudar,
Coragem para mudar as coisas que não posso aceitar
E sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas
Que eu tiver que matar por
Estarem me enchendo o saco.
Também me ajude a ser cuidadoso com os
Calos em que piso hoje, pois eles podem
Estar conectados aos sacos que terei que
Puxar amanhã.
Ajude-me, sempre, a dar 100% no meu trabalho...
12% na segunda-feira;
23% na terça-feira;
40% na quarta-feira;
20% na quinta-feira;
5% na sexta-feira.
E...Ajude-me sempre a lembrar, quando
Estiver tendo um dia realmente ruim e todos
Parecerem estar me enchendo o saco, que
São necessáriso 42 músculos par socar alguém
e apenas 4 para estender o meu dedo médio
e mandá-lo para aquele lugar...
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Luís Fernando Veríssimo

Um conferencista falava sobre gerenciamento da tensão. Levantou um copo com água e perguntou à platéia: - Quanto vocês acham que pesa este copo dágua? As respostas variaram entre 20g e até 500g. O conferencista, então, comentou: - Não importa o peso absoluto. Depende de por quanto tempo vou segurá-lo. Se eu seguro por um minuto, tudo bem. Se eu seguro durante um hora, eu terei uma dor no meu braço. Se eu seguro durante um dia inteiro, você terá que me chamar uma ambulância. E é exatamente o mesmo peso, mas quanto mais tempo eu passo segurando-o, mais pesado vai ficando. E concluiu: - Se carregamos nossos pesos o tempo todo, mais cedo ou mais tarde, nós não seremos mais capazes de continuar, a carga vai tornando-se crescentemente mais pesada. O que você tem que fazer é deixar o copo em algum lugar e descansar um pouco antes de segurá-lo novamente. Temos que deixar a carga de lado periodicamente, do jeito que puder! É reconfortante e nos torna capazes de continuar. Para cada situação na vida carregamos um peso, sabemos que somos capazes de carregar desde que deixemos cada peso descansado no seu devido lugar... sem querermos ao final do dia levá-los para casa... A vida é curta, aproveite-a! http://www.rivalcir.com.br/mensagemdia2007/novembro04.html | |
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Andréia B. Borba
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Todos os gatos são pardos?

Por Gilmar Marcílio
Que coisa. Eu dou uma rápida espiada uma vez por ano, se muito, para ver o que está acontecendo na noite e continuo com a impressão de que as pessoas mais se entediam do que se divertem. Sou o menos indicado na face da terra para analisar com conhecimento de causa os sintomas reveladores de quem a freqüenta. Mas é aquela história: não é preciso passar uma longa temporada com o diabo para descobrir como é o inferno.
Primeiro ponto: todo mundo precisa dar a impressão de que está se divertindo muito, o tempo todo. Para tanto, estampa-se um sorriso na cara como a dizer que, naquele momento, não existe ninguém mais contente no mundo. Claro que quem sai para se divertir acaba esquecendo seus preconceitos mais evidentes para ter um grau de aproveitamento maior das situações que se apresentam. Ainda bem. Cansei de ver criaturas que se horrorizam com isso e aquilo sob a luz do sol e, algumas horas e um pouco de escuridão depois, se entregam sem pudor algum à prática de atos condenáveis e desejados. Na complexidade de nosso ser talvez seja necessário, para não ficar louco, dar vazão a nossos instintos reprimidos, sob risco de, ao não fazê-lo, acabar como moradores provisórios de uma instituição psiquiátrica.
Mas há determinadas situações que me incomodam. Já não sou mais adolescente e sei que meu grau de resistência a tudo aquilo que extrapola o bom senso não é o mesmo de antigamente. Eu me sinto com 130 anos toda vez que entro numa danceteria e sou literalmente agredido por aquilo que se convencionou chamar de música. No máximo é uma batida sincopada, repetida à exaustão, quase um anestésico para que não se consiga sentir (e muito menos ver) o que se passa ao redor. Não deixa de ser curioso nos três primeiros minutos e meio. Parece quase um ritual de iniciação religiosa. Ou profana. E, sim, uma espécie de êxtase pode ser percebido na face dos freqüentadores. Eu falo disso tudo até com uma certa vergonha, pois meu conhecimento prático sobre o assunto é mínimo. Imaginem, sou do tempo em que diversão era reunir alguns amigos para conversar, ir ao cinema, jantar ou até, valha-me Deus, ficar em casa lendo um bom livro. Inacreditável, mas houve uma época em que se fez isso. E não parecia tão ruim assim.
Outro aspecto interessante: todos ficam de pé, perigosamente colados uns nos outros. Acender um cigarro? Um risco sem tamanho. Seria aconselhável que alguém do corpo de bombeiros ficasse vigiando a uma distância razoável. Se você tiver um copo de bebida na mão terá que executar uma complicadíssima ginástica para conseguir que o líquido em seu interior chegue a sua boca. O espaço disponível para fazer qualquer gesto não excede alguns centímetros. Exagero? Sim, talvez sejam milímetros. Vontade de cumprimentar um amigo? Esqueça. Abraços exigem um movimento circular impensável naquela congestão de criaturas. O jeito é seguir esbarrando em todo mundo, com a maior naturalidade possível.
Nessa minha rápida incursão pela noite, me perguntava todo o tempo (azar o meu, aproveitei menos): será que essa turma toda está feliz? A impressão que tive é que as pessoas presentes só agüentavam estar lá porque fumavam e bebiam o tempo todo. Compulsivamente. Quando cheguei em casa (infelizmente sóbrio) e tirei o casaco, senti um impulso de me pendurar inteiro num cabide e ficar hibernando na área de serviço até o final do dia seguinte. Vai ver que minhas exigências são muito altas e eu até já deva pensar em me recolher a um asilo ou a uma casa de repouso. A gente nem sempre percebe se está sendo lúcido ou intransigente. Ou chato, o que é bem pior.
Mas foi até divertido, confesso. Parece que outra raça, tão diferente da que encontramos sob a luz do sol, vai surgindo pelas frestas da noite até conseguir algum tipo de satisfação. Tenho amigos de longa data que entendem essa palavra como sinônimo de ficar despertos até as 6h, pelo menos nas sextas e sábados. É um dos mistérios que, desconfio, jamais conseguirei entender. Eu ficaria tão mal-humorado ao acordar que seria impossível conviver comigo mesmo, se assim agisse. E as olheiras, então? E a dor de cabeça? Argh, não dá nem pra pensar.
No fundo, talvez seja um pouco de inveja o que eu sinta de quem consegue ser assim... como posso dizer, tão plano e que se diverte tanto com tão pouco. Tenho recebido propostas para fazer laboratórios de estudo nesse quesito. Todos empenhados em mudar minha severa opinião. Só se fosse para defender uma tese de doutorado, nada menos que isso. Mas, vá lá saber se não estou perdendo o melhor da vida. Até porque ser graduado em seriedade nunca garantiu o passaporte para a felicidade. Só não precisava ter tanta fumaça, e a música, bem, poderia lembrar vagamente uma música. Continuarei aqui do lado de fora, espiando, vez que outra, o que acontece no coração selvagem das madrugadas. Mesmo que seja só para descobrir que os gatos, todos, continuam rigorosamente pardos.
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Andréia B. Borba
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Humildade II

"Aquele que busca a Verdade deve, antes de tudo, ser tão
humilde como o pó. O mundo pisa sobre o pó, mas quem
persegue a Verdade deve ser tão humilde que mesmo o pó
poderia pisá-lo."
(Gandhi)
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Cachorrinho esperto

Uma velha senhora foi para um safári na África e levou seu velho vira-lata com ela. Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, deu-se conta de que estava perdido. Vagando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção, com intenção de conseguir um bom almoço. O cachorro velho pensa: -"Oh, oh"! Estou mesmo enrascado! Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão por perto. Em vez de apavorar-se mais ainda, o velho cão ajeita-se junto ao osso mais próximo, e começa a roê-lo, dando as costas ao predador. Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto : -Cara, este leopardo estava delicioso ! Será que há outros por aí ? Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um arrepio de terror, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na direção das árvores. -Caramba! pensa o leopardo, essa foi por pouco ! O velho vira-lata quase me pega! Um macaco, numa árvore ali perto, viu toda a cena e logo imaginou como fazer bom uso do que vira: em troca de proteção para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum... E assim foi, rápido, em direção ao leopardo. Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e pensa: -Aí tem coisa! O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o que interessa e faz um acordo com o leopardo. O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo, e diz: -"Aí, macaco! Suba nas minhas costas para você ver o que acontece com aquele cachorro abusado!" Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção, com um macaco nas costas, e pensa: -E agora, o que é que eu posso fazer? Mas, em vez de correr (sabe que suas pernas doídas não o levariam longe...), o cachorro senta, mais uma vez dando costas aos agressores, e fazendo de conta que ainda não os viu, e quando estavam perto o bastante para ouvi-lo, o velho cão diz: -"Cadê o safado daquele macaco? Estou com fome! Eu o mandei buscar outro leopardo para mim! " Moral da história: não mexa com cachorro velho... idade e habilidade se sobrepõem à juventude e intriga. Sabedoria só vem com idade e experiência.
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Andréia B. Borba
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